Burocracia impede crescimento das empresas em Portugal

A burocracia continua a ser um dos principais obstáculos ao crescimento das empresas em Portugal. Durante a conferência anual da AIMMAP, gestores de várias empresas destacaram como a elevada carga burocrática limita a capacidade de inovação e competitividade no mercado.

Patrícia Vasconcelos, CEO da Caetano Bus, sublinhou que a burocracia é um entrave significativo. “É a parte que nos impede de fazer mais rápido aquilo que queremos”, afirmou, acrescentando que, ao olhar para o exterior, “tudo acontece mais rápido”. A responsável citou os testes a automóveis autónomos como um exemplo claro, revelando que até para realizar testes internos é complicado, enquanto noutros países “tudo flui de forma diferente”.

Outro desafio mencionado foi a dificuldade das empresas em dar um passo atrás para avançar. Bernardo da Rocha Novo, CEO da Sonae Capital Fitness, partilhou a experiência da internacionalização dos ginásios low-cost Element Gyms na República Checa. “Quando chegámos, tivemos de adaptar o negócio, pois lá não se faz débito direto”, explicou.

Patrícia Vasconcelos também enfatizou a importância da adaptação ao mercado, embora reconheça que ter um produto universal facilita a venda. Contudo, a internacionalização requer uma flexibilidade constante. “Não ter problemas em pedir ajuda é fundamental”, afirmou Kathy Fehst, CEO da Siroco. Para ela, a colaboração é essencial: “Ficamos todos a ganhar. Não tem de ser tudo nosso, podemos dar a mão e crescemos todos”.

A Siroco, que exporta para 11 países, recorre a parcerias para expandir a sua presença. Bernardo da Rocha Novo destacou que a Sonae Capital Fitness entrou na República Checa sem apoio físico da Sonae, mas conseguiu adaptar-se, evitando a “arrogância de saber tudo”. Ele identificou três eixos cruciais para a internacionalização: definir o que é necessário, garantir vantagens competitivas e encontrar novas formas de operar.

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A criação de valor nas empresas é um tema central, e cada uma tem a sua abordagem. Na Siroco, o foco começa “dentro de casa”, com o desenvolvimento de competências dos colaboradores e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Kathy Fehst afirmou que a empresa também se preocupa em devolver à sociedade e em entender as necessidades do mercado.

Com cerca de 50 trabalhadores, a Siroco acredita que o trabalho interno faz a diferença. “Quando há um problema, chamamos todos à mesa”, disse. É fundamental que os colaboradores tenham uma visão abrangente do que se passa na empresa. Para a Caetano Bus, que tem uma estrutura maior, é mais difícil reunir todos, mas a empresa investe na melhoria contínua e na resolução de problemas.

Apesar da importância dos colaboradores, Kathy Fehst destacou que é no serviço que as empresas se diferenciam. “Portugal é cada vez mais reconhecido no exterior pela sua boa tecnologia. O que atrai clientes é a qualidade do serviço”, explicou. Patrícia Vasconcelos concordou, afirmando que a proximidade com o cliente e a antecipação de problemas são cruciais. “O nosso objetivo é que o autocarro não tenha problemas, pois cada paragem representa um custo enorme para o cliente”, concluiu.

Leia também: A importância da inovação para o crescimento empresarial.

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Fonte: Sapo

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