Região Norte mantém 71% do PIB da União Europeia em 2025

A Região Norte de Portugal continua a representar 71% do PIB da União Europeia, um dado que foi destacado na conferência de lançamento da Estratégia Norte 2040, realizada no Europarque, em Santa Maria da Feira. O evento reuniu políticos, académicos e empresários, que apelaram à afirmação da região num contexto europeu em constante mudança, marcado por desafios geopolíticos, tecnológicos e económicos.

Na abertura da conferência, Amadeu Albergaria, presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, sublinhou a importância económica do concelho, que já conta com mais de 18 mil empresas. Em 2025, a região acompanhou intenções de investimento que somam cerca de 470 milhões de euros, incluindo um investimento significativo de 370 milhões de euros da Lufthansa Technik. Albergaria defendeu que a Região Norte deve ser uma referência de riqueza na Europa, enfatizando a necessidade de combater o centralismo e promover a descentralização.

Francisco Lopes, presidente do Conselho Regional, também abordou a importância da capacidade de decisão regional, especialmente no próximo ciclo de fundos europeus. Ele criticou a centralização do PRR e destacou que, apesar de a taxa de candidaturas ao Norte 2030 ser de 70%, a taxa de aprovação nos primeiros anos foi apenas de 0,8%. Lopes alertou que, embora a Região Norte tenha potencial para influenciar as prioridades europeias, é crucial evitar retrocessos nas decisões regionais.

Hugo Sobral, diretor-geral adjunto da DG Regio da Comissão Europeia, apresentou a proposta do novo quadro financeiro plurianual da UE para 2028-2034. Ele destacou que a nova proposta orçamental visa manter um volume de investimento semelhante ao anterior, prevendo 865 mil milhões de euros para investimentos e reformas. Sobral alertou que, apesar do crescimento da Região Norte, este não tem sido suficiente para alcançar a média europeia, sendo necessário acelerar o processo de convergência.

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A inovação e a competitividade foram temas centrais no primeiro painel de debate. Raul Fangueiro, pró-reitor da Universidade do Minho, afirmou que os fundos comunitários tiveram um impacto positivo, mas que é necessário um “choque em inovação” para transformar o conhecimento em resultados económicos concretos. Ele defendeu a regeneração das indústrias tradicionais e a aposta em setores emergentes, como o espaço e a defesa.

Catarina Selada, do CeiiA, apontou o setor espacial como uma oportunidade estratégica, prevendo que a indústria possa gerar 40 mil milhões de euros até 2040. Ela destacou a importância de desenvolver produtos próprios e atrair talento, enquanto Luís Miguel Ribeiro, presidente da AEP, criticou a burocracia e defendeu uma maior rapidez na execução de programas.

O segundo painel focou na coesão territorial e na agricultura, onde se discutiu a renovação geracional no setor. Luís Leite Ramos, da UTAD, questionou a eficácia dos fundos europeus e sugeriu uma agenda regional de investigação aplicada à agricultura. Susana Carvalho, da Universidade do Porto, destacou a digitalização como uma forma de atrair jovens para o setor.

Idalino Leão, da CONFAGRI, alertou para o envelhecimento dos agricultores e a fragmentação fundiária como entraves ao desenvolvimento. Na sessão de encerramento, Álvaro Santos, da CCDR Norte, defendeu que a Estratégia Norte 2040 deve ser vista como um “pacto regional para o futuro”, enfatizando que as regiões têm um papel crucial na definição do futuro.

Leia também: O impacto da inovação na economia portuguesa.

Região Norte Nota: análise relacionada com Região Norte.

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Fonte: ECO

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