Menos crianças em Portugal e mais tempo na escola

Portugal enfrenta uma significativa diminuição no número de crianças, com a infância a tornar-se cada vez mais institucionalizada. De acordo com um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, através da Pordata, o país regista uma das maiores quebras de crianças na Europa, ao mesmo tempo que as que existem passam mais horas na escola e na creche.

Atualmente, Portugal conta com cerca de 1 milhão e 58 mil crianças, o que representa apenas 9,8% da população, uma queda acentuada em relação a 22% em 1975. Esta descida coloca o país como o quarto com menos crianças na União Europeia, apenas à frente de Itália, que apresenta 9,1%. A Espanha lidera a lista de quebras, com uma descida de 12,4 pontos percentuais.

Apesar da diminuição do número de crianças, as que estão em idade escolar passam mais tempo em instituições educativas do que a média europeia. Os alunos entre os 6 e os 11 anos em Portugal frequentam creches ou escolas durante 38 horas por semana, o valor mais elevado da União Europeia, superando a média de 31,5 horas. Para crianças com menos de 3 anos, a carga horária também é significativa, com uma média de 36,7 horas semanais.

A cobertura de creches tem vindo a aumentar, com cerca de 58% das crianças até aos 3 anos a estarem abrangidas por educação formal ou amas certificadas. Este número é superior à média da União Europeia, que se situa em 40,5%. Desde 2013, Portugal registou um aumento de 22,1 pontos percentuais, enquanto a média europeia cresceu apenas 13,5 pontos.

No que diz respeito à educação pré-escolar, Portugal aproxima-se da cobertura universal. Em 2024, 94,5% das crianças entre os 3 anos e a entrada na escola frequentavam educação pré-escolar, embora ainda abaixo da média europeia de 95%. O país já assegura cobertura total para crianças de 5 anos, mas ainda não atingiu a universalidade para as de 4 e 3 anos.

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A estrutura familiar em Portugal também apresenta características interessantes. Aproximadamente 793 mil agregados têm pelo menos uma criança com menos de 12 anos, representando 17% do total. A maioria das crianças vive com um casal (69%), enquanto 20% estão em famílias com mais de dois adultos e quase 11% em famílias monoparentais.

A pobreza infantil é outro tema relevante. Em 2025, cerca de 157 mil crianças menores de 12 anos estavam em risco de pobreza em Portugal, uma redução significativa em comparação com 2015. Na União Europeia, o número total de crianças em risco de pobreza é de 9,4 milhões, uma diminuição de 1,5 milhões em relação a uma década atrás.

A situação das crianças em Portugal reflete uma transformação profunda: embora o número total de crianças esteja a diminuir, a sua presença em instituições educativas e a cobertura por redes formais de cuidado e ensino estão a aumentar. Este cenário levanta questões sobre o futuro da infância em Portugal.

Leia também: O impacto da educação na infância em Portugal.

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Fonte: Sapo

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