Bolsas iniciam junho sob pressão do petróleo e com payrolls em foco

Os mercados financeiros internacionais entram em junho num estado de equilíbrio instável. A incerteza é palpável, especialmente com a possibilidade de mudanças rápidas nas circunstâncias. A última sessão de maio trouxe ganhos moderados em Wall Street, com os três principais índices a atingirem novos recordes. Os investidores mantêm um otimismo cauteloso, na expectativa de que os Estados Unidos e o Irão possam chegar a um acordo para prolongar o cessar-fogo no Médio Oriente por 60 dias. Além disso, as ações ligadas à inteligência artificial também impulsionaram o mercado.

O índice S&P 500 encerrou a sessão com uma subida de 0,22%, fixando-se em 7.580,06 pontos. O Dow Jones subiu 0,72%, alcançando os 51.032,46 pontos, enquanto o Nasdaq valorizou 0,20%, atingindo 26.972,62 pontos. Um destaque foi a fabricante de computadores Dell Technologies, cujas ações dispararam 32,81% após um aumento de 88% nas receitas no primeiro trimestre.

Na perspetiva semanal, o S&P 500 cresceu 1,8%, marcando a sua terceira semana consecutiva de crescimento, uma sequência que não se via desde 2023. O Dow Jones e o Nasdaq também apresentaram resultados positivos, com subidas de 1,49% e 2,58%, respetivamente. Em termos mensais, os resultados foram ainda mais impressionantes: o S&P 500 cresceu 6,22%, o Dow Jones subiu 4,44% e o Nasdaq valorizou 9,32%.

O pano de fundo permanece dominado pelo conflito no Médio Oriente, com os investidores atentos aos esforços diplomáticos para resolver a tensão entre os EUA e o Irão, que já dura quase três meses. Este conflito interrompeu o tráfego no Estreito de Ormuz, elevando os preços globais da energia e aumentando as preocupações sobre as perspetivas económicas.

A questão do petróleo será central na abertura de segunda-feira. Fontes da Reuters indicaram que os EUA e o Irão chegaram a um acordo preliminar para estender o cessar-fogo e remover restrições à navegação no Estreito de Ormuz. Contudo, este acordo ainda não foi aprovado por Donald Trump, e a imprensa estatal iraniana sugere que nada foi finalizado. Na última sessão, o preço do petróleo caiu quase 2%, à espera da decisão final de Trump. O Brent, referência para a Europa, desceu 1,77% para 92,05 dólares, enquanto o petróleo WTI caiu 1,73% para 87,36 dólares por barril.

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O presidente dos EUA publicou nas redes sociais as condições para que as negociações com o Irão avancem, incluindo a exigência de que Teerão renuncie a qualquer intenção de desenvolver armas nucleares. Os analistas acreditam que a recuperação dos fluxos de petróleo será lenta, uma vez que a infraestrutura na região precisa de reparações.

Na Europa, as bolsas encerraram a última sessão de maio com resultados mistos. O PSI, por exemplo, caiu 0,12% para 9.076,5 pontos, afetado por perdas em empresas do setor de energia e papel. Para segunda-feira, os investidores aguardam a divulgação do PMI final da indústria transformadora de maio, que será um indicador importante para avaliar a atividade económica no continente.

Além disso, a semana de 2 a 6 de junho promete ser intensa em termos de dados económicos nos EUA. O ponto alto será a divulgação dos nonfarm payrolls, que são cruciais para entender a saúde do mercado de trabalho e as implicações para a política monetária. A combinação de máximos históricos nas bolsas, a pressão do petróleo e a incerteza geopolítica deverá manter a volatilidade como uma constante nas próximas sessões.

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Fonte: Sapo

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