Crescimento da economia global desacelera com crise energética

A crise energética resultante do conflito entre os EUA e o Irão está a provocar uma desaceleração no crescimento da economia global em 2023. A agência de notação financeira Fitch ajustou a sua previsão de crescimento, reduzindo-a em 0,2 pontos percentuais, agora estimando um aumento de apenas 2,4% para este ano.

Os dados económicos têm sido revistos em baixa, com a inflação a aumentar e a pressionar os salários, o que, por sua vez, afeta o consumo das famílias e eleva os custos para as empresas. Apesar deste cenário desafiador, o investimento em inteligência artificial (IA) e o comércio global, especialmente as exportações asiáticas, continuam a oferecer uma perspetiva de crescimento acima dos 2%.

Brian Coulton, economista-chefe da Fitch, comentou que “o choque no preço do petróleo está a impactar as perspetivas de crescimento global e a aumentar os riscos negativos. Contudo, estamos a observar um aumento significativo no investimento global em tecnologia, o que está a atenuar o impacto no curto prazo, particularmente na Ásia”.

Esta revisão das previsões segue cortes anteriores nas expectativas de crescimento para os EUA (1,9%) e para a zona euro (0,9%). Por outro lado, a China viu a sua estimativa de crescimento aumentar em 0,3 pontos, agora fixada em 4,6%, devido à “resiliência notável nas exportações”.

A Fitch prevê que o estreito de Ormuz, que esteve fechado durante 14 semanas, reabra apenas em julho. A agência também ajustou a sua previsão para o preço do barril de petróleo, que deverá ser de 87 dólares este ano, uma revisão de 17 dólares. Apesar do impacto negativo da crise petrolífera atual, esta é considerada “menos severa” do que os choques da década de 70, quando o preço do barril atingiu 170 dólares em 1979.

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Num cenário mais adverso, com preços do petróleo elevados e condições de crédito mais restritivas, o crescimento dos EUA poderia cair para apenas 0,8%, enquanto a zona euro poderia ver um crescimento de apenas 0,3%. Em contraste, a China poderia alcançar um crescimento de 3,4%.

O investimento em tecnologia disparou 18% no primeiro trimestre nos EUA, e há evidências de um aumento rápido desse investimento em outros países. As importações de bens de capital nos EUA também subiram quase 30%. As exportações de chips têm contribuído para um desempenho forte na Coreia do Sul e em Taiwan, com a China a aumentar as suas vendas de tecnologia. Globalmente, as vendas de chips aumentaram 80% em março.

Por fim, a Fitch antecipa que o Banco Central Europeu (BCE) aumentará a taxa de juro em 25 pontos base em junho, mas que estas aumentos poderão ser revertidos no próximo ano. A Reserva Federal dos EUA deverá manter as taxas este ano, com cortes previstos para 2027.

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Fonte: Sapo

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