A Brookings Institution, um prestigiado grupo de reflexão norte-americano, publicou recentemente uma análise que destaca a China como a principal beneficiária da guerra no Irão. O diretor do Centro John L. Thornton para a China, Ryan Hass, argumenta que o conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irão expôs os limites do poder norte-americano e permitiu a Pequim reforçar a sua influência no cenário internacional.
Hass resume a situação de forma clara: “Os Estados Unidos e Israel combateram o Irão, e a China venceu”. Esta afirmação reflete a visão de que a China não precisa confrontar diretamente os EUA para aumentar a sua posição na ordem mundial. Em vez disso, a análise sugere que a guerra no Irão pode ter o efeito oposto ao que muitos defensores da intervenção militar esperavam. A derrota do Irão, longe de enfraquecer a rede de parceiros da China, poderá torná-lo mais influente, especialmente devido ao seu controlo sobre o estreito de Ormuz, uma rota crucial para o comércio global de energia.
O especialista menciona que, enquanto os Estados Unidos se desgastam em novos conflitos, a China mantém o foco na sua principal disputa geopolítica: a liderança tecnológica. Para Pequim, a hegemonia no Golfo Pérsico traria mais custos do que benefícios, levando-a a optar por manter relações com todos os países da região sem assumir responsabilidades sobre a segurança.
Apesar dos riscos associados à guerra no Irão, como a possibilidade de perturbações no transporte marítimo e o aumento dos preços da energia, Hass considera que o balanço estratégico favorece a China. A análise revela que Pequim já está a ajudar aliados dos EUA, como Tailândia e Filipinas, a suprir necessidades energéticas, um papel que tradicionalmente era desempenhado por Washington.
A médio prazo, a China poderá ainda beneficiar da crescente procura por tecnologias de energia renovável, onde já detém posições de destaque em áreas como painéis solares e veículos elétricos. Contudo, a guerra também exacerba as tensões entre os EUA e os seus aliados, criando divergências sobre a legitimidade e as consequências do conflito.
Hass alerta que qualquer enfraquecimento da coesão das alianças ocidentais poderá reduzir a capacidade de resposta a avanços chineses. Além disso, os parceiros asiáticos podem começar a questionar a disposição dos EUA em defender Taiwan, especialmente se Washington enfrentar dificuldades em lidar com uma potência militar como o Irão.
Apesar das incertezas, o analista acredita que a abordagem da China em relação a Taiwan não deverá mudar em função da guerra no Irão. O objetivo de Pequim continua a ser convencer a população de Taiwan de que a integração com a China continental é a melhor garantia de segurança e prosperidade. No entanto, a China enfrenta desafios internos significativos, como o elevado desemprego jovem e a fraca procura interna.
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Fonte: ECO





