Ex-ministra Maria Lúcia Amaral admite perda de autoridade

A ex-ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, revelou esta terça-feira que a sua demissão foi motivada pela perda de autoridade. Em declarações no podcast da RTP Antena 1 “Ponto de Interrogação”, Amaral reconheceu que não conseguiu controlar os incêndios que devastaram o país no verão e a tempestade que o atingiu no início do ano.

“Desde o início avisei que não continuaria se sentisse que não tinha autoridade. E foi exatamente isso que aconteceu”, afirmou a ex-governante. Maria Lúcia Amaral apresentou a sua demissão a 10 de fevereiro, cerca de oito meses após assumir o cargo, num período marcado por críticas à sua gestão da resposta à depressão Kristin, que afetou Portugal no final de janeiro.

A ex-ministra sublinhou que não tinha condições pessoais e políticas para permanecer no Governo, reafirmando o compromisso que fez ao primeiro-ministro. “A partir do momento em que percebi que não tinha autoridade para implementar as mudanças necessárias, decidi que não poderia continuar”, disse.

Maria Lúcia Amaral referiu-se aos incêndios de 2025 e à tempestade que assolou o país como eventos que lhe escaparam. “Foram acontecimentos que não consegui controlar, pela sua imprevisibilidade e dimensão”, reconheceu. A ex-ministra destacou a importância de identificar problemas e procurar soluções de forma serena, sempre em linha com a visão aprovada pelo voto popular, em prol do bem comum.

“Fazer política implica ter a capacidade de reagir ao inesperado. Quando assumi o cargo, tinha em mente o meu percurso e a confiança que me foi dada, mas os eventos que ocorreram desafiaram essa capacidade”, afirmou.

Amaral admitiu também que não dispunha dos meios necessários para lidar com as situações de emergência, referindo-se à falta de conhecimentos técnicos e ao domínio do terreno. “Para reagir rapidamente ao imprevisível, é essencial ter um conhecimento profundo das pessoas e das circunstâncias no terreno”, explicou.

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A ex-ministra enfatizou que a sua saída do Governo foi uma decisão ponderada, considerando que era mais prejudicial para o país manter alguém sem autoridade na Administração Interna. “Era muito pior para o país ter um ministro sem autoridade do que não ter ninguém”, afirmou.

Maria Lúcia Amaral fez uma distinção importante entre poder e autoridade: “Poder é a capacidade de moldar comportamentos e exigir obediência. Autoridade é a capacidade natural de ser obedecido pela adesão dos outros”. Apesar da sua saída, garantiu que não se arrepende de ter integrado o Governo, uma decisão que tomou a poucos meses de terminar o seu mandato como Provedora de Justiça.

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Maria Lúcia Amaral Nota: análise relacionada com Maria Lúcia Amaral.

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Fonte: ECO

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