As autoridades belgas decidiram não ceder à pressão dos Estados Unidos para impor restrições a viajantes da República Democrática do Congo (RDC), um pedido que surgiu em meio a preocupações sobre a propagação do Ébola. Frank Vandenbroucke, ministro da Saúde da Bélgica, afirmou à Rádio 1 que o país continuará a seguir as diretrizes científicas, especialmente as do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).
Vandenbroucke explicou que a Bélgica está a focar os seus esforços na triagem e nos controlos nos pontos de partida dos países afetados, em vez de restringir a entrada de viajantes. “Estamos em estreita articulação com os parceiros envolvidos e com o ECDC. A ciência conclui que é necessário tomar medidas nos locais onde a crise está a atingir o seu auge. Neste momento, não está prevista qualquer proibição de entrada para ninguém”, disse o ministro.
O pedido de restrições, que chegou a Bruxelas através do Embaixador Bill White, visava especificamente os viajantes congoleses. A resposta belga surge após a administração Trump ter solicitado que os países europeus impusessem limitações de viagem a pessoas que tenham estado recentemente em países da África Central, como a RDC e Uganda. Um porta-voz da Comissão Europeia também confirmou que não há evidências que justifiquem medidas adicionais nas fronteiras para evitar a propagação do vírus na Europa.
Até agora, não foram registados casos de Ébola nos Estados Unidos, mas as preocupações de Washington aumentam à medida que se aproxima o Campeonato do Mundo de Futebol, que deverá atrair milhões de adeptos. Na segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reavaliou o risco associado à epidemia no continente africano, reduzindo-o de “alto” para “baixo”, exceto para a RDC e países vizinhos.
Além disso, na quarta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, contactou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para discutir a coordenação e os esforços de resposta ao surto de Ébola. “A maior prioridade e foco do departamento continuam a ser proteger a saúde do povo americano e impedir que este surto de Ébola chegue às nossas costas”, afirmou Rubio.
Até ao momento, as autoridades confirmaram cerca de 600 casos de Ébola na RDC e Uganda, com mais de 100 mortes associadas. A decisão da Bélgica de não impor restrições a viajantes da RDC reflete uma abordagem baseada em evidências científicas, em vez de ceder a pressões políticas externas.
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Fonte: Sapo





