A experiência acumulada ao longo dos anos em diferentes áreas de um banco revela uma realidade surpreendente: embora o sistema bancário possa parecer um todo coeso à primeira vista, a sua estrutura interna é, na verdade, profundamente fragmentada. Esta percepção é crucial para entender um dos maiores desafios do setor: a crescente complexidade dos sistemas bancários.
As operações bancárias, como contas, transferências, créditos ou cartões, podem ser realizadas através de um único sistema, mas raramente esses sistemas são conjuntos integrados de aplicações. Em vez disso, são como mosaicos formados ao longo de décadas, onde cada camada representa uma era tecnológica distinta. Essas camadas refletem decisões históricas que resultam em redundâncias e artefactos que exigem conhecimentos específicos sobre cada organização.
Esta fragmentação leva a que as equipas conheçam apenas uma parte do fluxo ou um conjunto limitado de aplicações, resultando em visões parciais sobre os impactos de iniciativas que deveriam ser abrangentes. Esta limitação pode condicionar a escolha das melhores abordagens em projetos ou processos de transformação tecnológica, aumentando a incerteza em termos de tempo e funcionalidade.
Num contexto onde os sistemas bancários estão sob pressão constante para inovar, implementar mecanismos de controlo e cumprir regulamentações, a complexidade do sistema é um dado adquirido. Mesmo após várias ondas de transformação tecnológica, a eliminação total dessa complexidade é improvável. Assim, é fundamental que a complexidade seja compreendida e gerida de forma proativa, em vez de ser ignorada.
Para enfrentar este desafio, é possível construir uma visão integrada do sistema, combinando métodos tradicionais com práticas inovadoras. Isso pode ser alcançado através da gestão do conhecimento, da utilização da arquitetura como ferramenta de compreensão e da formação de equipas polivalentes. Um passo essencial é conhecer a história do sistema, não apenas no que diz respeito ao seu funcionamento atual, mas também à sua evolução e às decisões que moldaram a sua estrutura. Esta visão holística facilita a antecipação de impactos e a gestão da complexidade futura.
Além disso, é crucial desenvolver uma visão end-to-end dos sistemas bancários. Isso pode ser feito através da análise dos fluxos funcionais entre produtos e dos seus ciclos de vida, bem como da promoção de comunidades que incentivem a partilha de conhecimento entre equipas. Esta abordagem reduz interpretações locais e cria um entendimento mais consistente das interações associadas a operações específicas. A visão deve ser técnica, mas também funcional, aproximando as linguagens utilizadas por equipas que operam no mesmo fluxo de negócio, mas que, frequentemente, não partilham os mesmos termos.
Ao aplicar diversas estratégias em conjunto, a visão deixa de ser local e torna-se transversal. Esta mudança é crucial para transformar a complexidade inevitável em complexidade gerível, um fator determinante para que a inovação possa realmente simplificar processos e apoiar o crescimento das organizações.
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Fonte: Sapo





