Em entrevista ao ECO/Advocatus, Rita Prates, Vice-Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, defende que os advogados estão especialmente preparados para liderar em contextos complexos. A sua formação jurídica oferece competências essenciais para a gestão, como a capacidade de estruturar problemas, negociar contratos e avaliar riscos. Na era da inteligência artificial (IA), essas habilidades tornam-se ainda mais relevantes, pois a tecnologia pode analisar dados rapidamente, mas não substitui o julgamento humano.
Prates sublinha que a IA pode reforçar o papel dos advogados nas organizações, permitindo-lhes explorar cenários e testar hipóteses de forma mais eficiente. Contudo, as competências humanas, como o pensamento crítico e a sensibilidade ética, continuam a ser fundamentais. Assim, os advogados podem integrar dimensões jurídicas, tecnológicas e sociais, assegurando que as decisões são responsáveis e sustentáveis.
No seu papel na gestão dos jogos sociais do Estado, Prates destaca a importância da articulação entre a dimensão económica e os propósitos sociais. Em 2025, os Jogos Santa Casa registaram vendas brutas de 3,143 mil milhões de euros, evidenciando a relevância económica desta atividade. O modelo dos jogos sociais em Portugal está intrinsecamente ligado ao financiamento de causas sociais, promovendo o jogo responsável e canalizando receitas para o interesse público.
A regulação no setor do jogo exige uma leitura sofisticada. Prates enfatiza que a capacidade de antecipação é crucial, pois a abordagem deve ser proativa e não apenas reativa. A SCML, onde atua, combina a gestão de uma atividade económica com responsabilidades de supervisão, tornando a compreensão do mercado e das dinâmicas concorrenciais essenciais para a tomada de decisões.
A ação social é outra área de responsabilidade de Prates, onde a materialidade do impacto é um fator distintivo. As decisões nesta área têm um reflexo direto na vida das pessoas, exigindo rigor na gestão e uma capacidade de adaptação. A evolução do acolhimento familiar em Portugal é um exemplo dessa mudança, com um foco crescente na criança e na criação de vínculos seguros.
A recente Lei n.º 37/2025, que promove o acolhimento familiar, é um passo importante para garantir que as crianças tenham um ambiente familiar adequado. Prates acredita que é fundamental sensibilizar a sociedade para a importância do acolhimento familiar e encorajar mais famílias a participar neste processo.
No que diz respeito às competências necessárias para advogados em funções de liderança, Prates destaca a importância da ambição, curiosidade e ética. Além disso, a capacidade de mobilizar equipas e um sentido de leveza são qualidades que podem facilitar a criação de um ambiente de trabalho saudável.
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Fonte: ECO





