A relação entre os Estados Unidos e a China, duas das maiores economias do mundo, não voltará ao que era há uma década, segundo Kevin Zhang, analista e professor na Universidade Estadual de Illinois. Durante uma palestra na Universidade de Macau, Zhang abordou o tema do desacoplamento económico entre as duas superpotências, afirmando que este processo começou muito antes da guerra comercial.
Zhang explicou que a insatisfação mútua entre os EUA e a China é a principal razão para a impossibilidade de um regresso ao passado. “Ambos os lados não estão satisfeitos” com a relação bilateral, sublinhou o analista. Ele destacou que, numa guerra comercial, não existe uma dominância clara, pois tanto os EUA como a China enfrentam consequências negativas a longo prazo.
O professor destacou que os Estados Unidos dispõem de um conjunto de ferramentas assimétricas significativas, incluindo o domínio do dólar, o poder das sanções económicas e uma vasta dimensão do mercado de consumo. Por outro lado, a China tem um controlo considerável sobre a cadeia de abastecimento em sectores estratégicos, como as terras raras e os veículos elétricos, embora as suas capacidades financeiras e alianças sejam mais limitadas.
Zhang também mencionou que ambos os países têm vindo a preparar-se para uma maior independência económica. “Mesmo antes da guerra comercial, a China já trabalhava para tornar o seu sector de alta tecnologia menos dependente dos EUA”, afirmou. Esta estratégia surgiu em resposta à preocupação com a forte dependência dos sistemas norte-americanos, desde as finanças à tecnologia da informação.
Um exemplo claro da vulnerabilidade da China é a empresa Huawei, que, ao depender do sistema Android, tornou-se suscetível à pressão dos EUA. “Em poucos anos, a Huawei caiu do primeiro lugar no seu mercado para fora dos dez melhores”, explicou Zhang. A partir dessa experiência, a China começou a desenvolver um sistema alternativo, conhecido como WPS, ao longo das últimas duas décadas.
Zhang argumenta que a China foi pioneira no desacoplamento económico, uma realidade que outros países, como o Vietname, o Japão, a França e a Alemanha, estão a começar a reconhecer. “Essas economias pequenas e médias terão cuidado para não depender 90 por cento dos EUA ou da China em qualquer área única”, concluiu.
A análise de Zhang levanta questões importantes sobre o futuro das relações económicas globais e a necessidade de diversificação nas cadeias de abastecimento. Para entender melhor as dinâmicas do comércio internacional, leia também: “O impacto da guerra comercial nas economias emergentes”.
desacoplamento económico desacoplamento económico desacoplamento económico Nota: análise relacionada com desacoplamento económico.
Leia também: Investidores continuam a retirar capital de fundos de crédito
Fonte: Sapo





