Portugal tem uma longa história de intervenção do Estado na economia, que remonta a cinco séculos. O conceito de Estado-empresário é central para entender a realidade económica do país, onde a liberdade de mercado tem sido frequentemente limitada. A despesa pública em Portugal atinge cerca de 45% do PIB, e a carga fiscal é uma das mais elevadas do mundo em relação ao rendimento nacional. O Estado não só regula o salário mínimo, como também gere pensões e distribui fundos europeus, criando um ambiente onde a burocracia e a regulação dificultam o crescimento das empresas.
Desde os Descobrimentos, onde a Coroa controlava o comércio, até ao século XVIII, com a riqueza do Brasil, a história de Portugal é marcada por um modelo económico que se baseia em monopólios estatais e rendas. O Marquês de Pombal, muitas vezes visto como um reformador, implementou políticas que reforçaram o dirigismo económico, criando companhias monopolistas e controlando a economia de forma centralizada. Com a chegada da democracia, esperava-se uma mudança, mas a estrutura do Estado-empresário manteve-se, perpetuando a ideia de que o Estado deve ser o principal actor económico.
A economia de compadrio, como é frequentemente chamada, é o oposto do capitalismo de mercado. Neste modelo, o Estado escolhe os vencedores, os subsídios são direcionados a amigos e as normas são desenhadas para proteger os grandes em detrimento dos pequenos. Assim, o lucro não resulta da criação de valor, mas sim da influência política. Em Portugal, muitos sectores estão protegidos da concorrência, e as ordens profissionais dificultam a entrada de novos actores no mercado.
Atualmente, estamos a viver uma era de transformação com o avanço da Inteligência Artificial. Esta tecnologia tem o potencial de revolucionar a economia, permitindo que pequenas empresas desafiem grandes corporações. No entanto, as barreiras legais e burocráticas permanecem elevadas, limitando a capacidade de inovação e crescimento. A juventude, que poderia beneficiar das novas ferramentas, encontra-se presa a um sistema que ainda remete para práticas do passado.
As soluções para modernizar a economia portuguesa são conhecidas e já foram testadas em outros países. É necessário ter coragem política para implementar reformas que beneficiem a maioria, mesmo que isso implique custos para uma minoria organizada. A abertura de profissões, a redução da burocracia e a liberalização de sectores são passos fundamentais para criar um ambiente mais competitivo e dinâmico.
Portugal enfrenta um momento decisivo. A escolha entre continuar a depender do Estado-empresário ou abraçar uma verdadeira economia de mercado é crucial. Para que o país possa prosperar, é imperativo que os políticos reconheçam os custos das reformas e comuniquem os benefícios de forma clara e honesta. A coragem de liderar e de fazer mudanças significativas é o que falta para que Portugal finalmente aproveite a oportunidade de transformar a sua economia.
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Estado-empresário Estado-empresário Nota: análise relacionada com Estado-empresário.
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Fonte: ECO





