Escândalos da KPMG e PwC afetam contratos das Big Four na Austrália

Os recentes escândalos de auditoria envolvendo a KPMG e a PwC na Austrália estão a ter um impacto significativo nos contratos das chamadas Big Four com o governo australiano. A situação, que levou à suspensão de novos contratos públicos com a KPMG, pode também afetar as outras grandes consultoras, mesmo aquelas que não estão diretamente implicadas nas investigações em curso.

De acordo com uma análise da Reuters, a receita das Big Four com trabalhos para o governo federal australiano caiu drasticamente, quase pela metade, desde uma fuga de informação fiscal que envolveu a PwC há três anos. Em 2025, os novos contratos assinados pela KPMG, PwC, Deloitte e EY com o governo australiano desceram para 348 milhões de dólares australianos (aproximadamente 212 milhões de euros), o que representa uma queda de 45% em comparação com o ano anterior.

Stephen Bartos, ex-secretário adjunto do Departamento de Finanças australiano, alertou que esta situação gera apreensão nos organismos governamentais, que temem um uso indevido de informações confidenciais. Como resultado, as entidades governamentais estão a mostrar-se mais relutantes em contratar a KPMG, podendo também enfrentar cortes de despesas por parte dos governos estaduais. Este cenário reflete um impacto que vai além do trabalho para o governo federal.

O escândalo veio a público no mês passado, quando a KPMG na Austrália foi acusada de ter utilizado informações confidenciais do cliente Lendlease para obter contratos de auditoria com o banco Westpac e a gestora de ativos Dexus. A empresa não terá agido adequadamente em resposta a queixas de um denunciante. Em meio à controvérsia, o CEO da KPMG Austrália, Andrew Yates, demitiu-se a 29 de maio e pediu desculpa ao whistleblower, sendo substituído interinamente por Stan Stavros.

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A KPMG emitiu um comunicado onde reconhece que alguns indivíduos da empresa cometeram erros, mas ressalta que estas falhas não refletem o trabalho da maioria dos seus profissionais, que continuam a dedicar-se a um trabalho de alta qualidade com integridade. O novo CEO anunciou que a consultora não participará em mais concursos públicos até 30 de setembro e está a desenvolver um “Plano de Remediação” para abordar as áreas onde não atingiu os padrões esperados.

Desde esta terça-feira, o Departamento de Finanças australiano iniciou uma investigação para averiguar se a KPMG, que possui 270 milhões em contratos federais, violou os termos do seu contrato com o governo. A ministra das Finanças, Katy Gallagher, afirmou que a análise irá verificar se a KPMG cumpriu os padrões exigidos aos fornecedores do governo e se os contribuintes foram cobrados por serviços que não foram prestados de acordo com esses padrões.

Em 2023, a PwC também enfrentou dificuldades, sendo obrigada a vender a sua operação de consultoria ao Estado por um dólar à Allegro Funds, após ter sido proibida de ganhar novos contratos federais devido a uma fuga de informação fiscal. Esta situação evidencia os desafios que as Big Four estão a enfrentar na Austrália, onde a confiança nas grandes consultoras está a ser severamente abalada.

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Big Four Big Four Nota: análise relacionada com Big Four.

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Fonte: ECO

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