A Agência Internacional de Energia (AIE) revisou em baixa a sua previsão para a procura mundial de petróleo, antecipando uma queda de 1,1 milhões de barris por dia em 2026, em comparação com 2025. Esta redução é atribuída ao impacto do conflito no Médio Oriente, que tem afetado significativamente o mercado petrolífero.
No seu relatório mensal, a AIE ajustou a previsão de consumo global de petróleo para este ano, reduzindo-a em 700.000 barris por dia em relação ao mês anterior. Apesar do recente acordo entre os Estados Unidos e o Irão, a AIE considera que os efeitos positivos deste entendimento ainda não se farão sentir de imediato.
A previsão de queda na procura de petróleo para 2026 é impulsionada pelo aumento dos preços, que começaram a subir com a eclosão da guerra a 28 de fevereiro, e pelo encerramento do Estreito de Ormuz. Este encerramento resultou numa diminuição da oferta global em 5 milhões de barris por dia no segundo trimestre, a primeira descida trimestral desde 2020.
Embora o acordo entre os Estados Unidos e o Irão, que deverá ser formalizado na Suíça, possa facilitar a reabertura do Estreito de Ormuz e permitir a chegada de mais petróleo ao mercado, a AIE prevê que o aumento da procura será gradual. No terceiro trimestre, a procura deverá continuar a ser inferior à do ano anterior, com uma redução de 1,7 milhões de barris por dia.
A recuperação da procura de petróleo poderá ser mais visível em 2027, à medida que os fluxos de petróleo bruto do Golfo Pérsico aumentem e os preços do barril diminuam. A AIE estima que, nesse ano, a procura possa crescer em 2 milhões de barris por dia.
No que diz respeito à oferta, as oscilações têm sido significativas e deverão continuar. A produção de petróleo deverá diminuir 3,9 milhões de barris por dia este ano em relação a 2025, totalizando 102,4 milhões de barris por dia. Em maio, a oferta foi de apenas 94,5 milhões de barris por dia, o que representa uma queda de 600.000 barris em comparação com o mês anterior.
A principal consequência da perda de produção é a diminuição das reservas, que acelerou em maio com uma perda de 143 milhões de barris. A AIE alerta que as previsões de recuperação para 2027 estão sujeitas a um elevado grau de incerteza, especialmente enquanto se aguardam mais detalhes sobre o acordo entre os Estados Unidos e o Irão.
Além disso, o relatório destaca que as reservas de petróleo nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) atingiram o nível mais baixo desde 1990. Apesar da queda na procura de petróleo, as reservas continuam a diminuir a um ritmo recorde, com uma redução de 163 milhões de barris desde o início do conflito no Médio Oriente.
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Fonte: ECO





