O Ministério da Educação admitiu uma “falha objetiva” na elaboração do exame nacional de Português do ensino secundário, levando à solicitação de uma auditoria ao processo por parte do EduQA. Esta decisão surge após a revelação de que um item do exame era praticamente idêntico a um exercício já publicado num caderno de apoio da editora Leya.
O ministro Fernando Alexandre pediu à Inspeção Geral da Educação e Ciência (IGEC) que conduza uma análise detalhada dos procedimentos internos do EduQA, especialmente no que diz respeito à verificação de questões que já foram disponibilizadas por editoras. O ministério sublinhou que a equipa responsável pelo exame não verificou adequadamente as questões, o que pode ter comprometido a equidade entre os alunos que realizaram a prova.
A utilização de um item repetido deveria ter sido evitada, segundo a tutela, que enfatizou a importância de uma verificação rigorosa durante a elaboração dos enunciados. O ministério também esclareceu que os itens do exame foram elaborados após a publicação do livro de exercícios da Leya, contradizendo a informação inicialmente fornecida pelo EduQA.
Nos últimos anos, o Grupo III do exame de Português tem incluído questões semelhantes, com variações no objeto de análise, que pode ser uma imagem, uma frase ou um texto. A repetição de uma pergunta relacionada com um cartoon do artista iraniano Takjoo, que aborda o tema do trabalho infantil, gerou críticas entre os professores, que alertaram para a desigualdade que esta situação pode causar entre os alunos.
A Associação de Professores de Português (APP) classificou a situação como uma “coincidência infeliz”, esclarecendo que a autora do manual em questão não teve acesso a informações privilegiadas sobre as provas de avaliação externa. O exame de Português foi realizado na terça-feira por cerca de 76 mil alunos, e a situação levantou preocupações sobre a justiça do processo de avaliação.
Após a conclusão do relatório da IGEC, o ministério promete tirar as devidas consequências e implementar eventuais medidas corretivas. Esta situação ressalta a importância de uma avaliação justa e equitativa para todos os alunos, garantindo que todos tenham as mesmas oportunidades durante o exame de Português.
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Fonte: Sapo





