Na recente reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, realizada em Bruxelas, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, deixou claro que a Europa deve assumir a liderança da sua própria segurança. Esta exigência, direta e sem ambiguidades, marca um ponto de viragem na relação transatlântica e na dinâmica da aliança.
Hegseth anunciou que, nos próximos seis meses, os Estados Unidos irão rever a sua posição na NATO, avaliando tanto os investimentos financeiros como a presença militar norte-americana nas bases europeias. Esta revisão surge após a recusa dos Estados-membros europeus em apoiar a ação militar dos EUA no Irão, uma decisão que Hegseth qualificou de “vergonha”. Com isso, os aliados europeus terão de se preparar para uma nova realidade, onde a dependência dos EUA poderá ser reduzida.
As declarações do secretário da Defesa sugerem que os Estados Unidos poderão cortar o financiamento à NATO e retirar tropas destacadas na Europa. A era da “boleia” dos EUA parece estar a chegar ao fim, e a NATO 3.0 poderá trazer desafios significativos para a segurança europeia.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, elogiou os esforços dos aliados europeus e do Canadá, que, até 2025, aumentaram os seus investimentos em defesa em mais de 90 mil milhões de dólares, o que representa um crescimento de quase 20%. A meta estabelecida é que os países da NATO gastem 5% do seu PIB em defesa até 2035.
Este encontro em Bruxelas também serviu como preparação para a cimeira de chefes de Estado e de governo que terá lugar em Ancara, na Turquia, dentro de um mês. No entanto, o ambiente tenso gerado pelas declarações de Hegseth não augura um encontro harmonioso.
Em paralelo, o ministro da Defesa Nacional de Portugal, Nuno Melo, que também esteve presente na reunião, anunciou que o país está a considerar integrar operações de desminagem no Estreito de Ormuz, utilizando veículos não tripulados. Portugal já participou em operações navais da União Europeia, como Aspides no Mar Vermelho e Atalanta no Oceano Índico. O ministro sublinhou que o país está a estudar a possibilidade de reforçar a sua participação em missões navais no Médio Oriente, incluindo o envio de pessoal e a utilização de informações recolhidas via satélite.
Nuno Melo indicou que todas estas propostas serão discutidas em Conselho Superior de Defesa Nacional para que possam ser decididas em conformidade com a lei. Além disso, o governo português aprovou um novo decreto-lei que visa aumentar a capacidade de recrutamento das Forças Armadas para cerca de 31 mil militares.
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Fonte: Sapo





