O economista Abhijit Banerjee, vencedor do Prémio Nobel da Economia em 2019, defendeu a implementação de uma taxa sobre os recursos utilizados na Inteligência Artificial (IA), com especial enfoque na água consumida pelos centros de dados. Em entrevista à agência Lusa, Banerjee alertou para a necessidade de repensar a forma como os recursos hídricos são utilizados, especialmente em regiões onde a escassez de água é uma preocupação.
“O entusiasmo em torno da inteligência artificial é tão grande que muitas vezes não consideramos as suas consequências”, afirmou Banerjee. Ele sublinhou que é fundamental estabelecer um modelo de preços que reflita o verdadeiro custo da água utilizada na IA, uma vez que em alguns locais se está a construir centros de dados em áreas com recursos hídricos limitados.
Banerjee propôs que, assim como existem taxas sobre emissões de gases de efeito estufa, como a taxa de carbono, um modelo semelhante poderia ser aplicado à água. “Precisamos de uma política sobre preços para todos estes recursos que estão a ser utilizados”, disse, referindo-se também ao impacto que a IA pode ter no mercado de trabalho, com a possibilidade de muitos trabalhadores perderem os seus empregos.
Estudos indicam que os serviços de IA consomem mais água do que outras aplicações típicas de centros de dados. Por exemplo, a geração de apenas 10 a 50 respostas em texto por uma ferramenta de IA generativa pode exigir cerca de meio litro de água, segundo uma pesquisa da Universidade da Califórnia. Além disso, a geração de imagens por ferramentas de IA também implica um consumo elevado de energia e, consequentemente, de água.
Banerjee, que recebeu o Nobel em conjunto com Esther Duflo e Michael Kremer pela sua abordagem experimental para combater a pobreza global, enfatizou que “existem tantos recursos que estão a ser usados para a IA” que os danos causados ao meio ambiente e à sociedade precisam de ser avaliados.
A proposta de taxar a água utilizada na IA levanta questões importantes sobre a sustentabilidade e a responsabilidade das empresas tecnológicas na gestão dos recursos naturais. A discussão sobre este tema é cada vez mais relevante à medida que a IA se torna uma parte integrante da economia moderna.
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Fonte: ECO





