Bolívia declara estado de emergência para acabar com bloqueios

O Presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou a declaração de estado de emergência no país, uma medida extraordinária destinada a acabar com os bloqueios e protestos que se arrastam há 50 dias. Em uma publicação nas redes sociais, Paz afirmou que a decisão visa “libertar as estradas do país” e garantir que os bolivianos não continuem a ser “reféns” de situações que os impedem de trabalhar, estudar e receber cuidados médicos.

O chefe de Estado sublinhou que a intenção não é retirar a normalidade, mas sim restaurá-la, enfatizando a necessidade de recuperar as estradas e assegurar o abastecimento. “As portas do Governo continuarão abertas para quem quiser dialogar de boa-fé”, acrescentou.

A medida foi anunciada após o governo ter chegado a um acordo com a Central Operária Boliviana (COB), que representa a maior central sindical do país. Este acordo, que visa pôr fim às mobilizações, abre caminho para a pacificação da Bolívia. No entanto, Rodrigo Paz considera que o acordo é insuficiente, uma vez que os sindicatos de camponeses, próximos do ex-Presidente Evo Morales, mantêm os bloqueios rodoviários e exigem a sua demissão.

O acordo com a COB foi assinado por Paz e pelo líder da central operária, Mario Argollo, após uma reunião entre uma delegação sindical e cinco ministros do governo. Argollo anunciou que as medidas de pressão a nível nacional estão a ser levantadas, com o compromisso do governo de cumprir tudo o que foi acordado.

O estado de emergência surge num contexto de tensões persistentes, com a Federação Departamental de Camponeses de La Paz a manter os bloqueios iniciados a 6 de maio. Os simpatizantes de Morales também continuam mobilizados, rejeitando o diálogo e exigindo a saída de Paz. O acordo com a COB inclui prazos de 90 dias para que o governo cumpra os compromissos assumidos, incluindo a libertação de manifestantes detidos durante os protestos.

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Argollo defendeu que o diálogo é essencial para evitar mais violência e pediu aos sindicatos de camponeses que não se tornem “vilões da história”. Desde o início de maio, os bloqueios rodoviários têm causado escassez de alimentos, combustíveis e oxigénio medicinal em várias cidades, resultando em pelo menos 16 mortes, a maioria devido à falta de cuidados médicos. Os prejuízos económicos são estimados em 3.000 milhões de dólares (cerca de 2,6 mil milhões de euros).

Leia também: O impacto dos bloqueios na economia boliviana.

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Fonte: ECO

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