Renova e o impacto viral dos Pokémons nas redes sociais

A Renova, uma marca portuguesa de papel higiénico, tornou-se um fenómeno viral nas redes sociais, especialmente no mercado asiático, após o lançamento de uma linha colecionável de Pokémons. As embalagens e folhas de rolos de papel higiénico, decoradas com personagens icónicas, geraram um aumento significativo de partilhas e posts no Instagram. Este sucesso inesperado foi comentado por Paulo Pereira da Silva, o presidente da Renova, que, com um sorriso, referiu que até surgiram notícias erradas sobre a empresa ser “japonesa”.

Durante um almoço no Maat Café em Lisboa, Paulo partilhou que não esperava tal impacto. O lançamento coincidiu com o aniversário dos Pokémons, o que ajudou a criar uma onda de entusiasmo em torno dos produtos da Renova. A conversa rapidamente se desviou para a história da empresa, que ganhou notoriedade internacional com a invenção do papel higiénico preto, apelidado de “o mais sexy do planeta”.

Paulo Pereira da Silva começou a sua carreira na Renova na direção fabril, passando por várias áreas, incluindo comercial e marketing. Ele destacou que o seu percurso, que começou em Abrantes e se estendeu até à Suíça para estudar Física, foi marcado por desafios que moldaram a sua resiliência e capacidade de adaptação. “O primeiro ano na Suíça foi muito difícil, mas ajudou-me a crescer”, confessou.

A experiência académica deixou uma marca profunda em Paulo, que se considera uma pessoa pontual e organizada. Após terminar o curso, um imprevisto com o serviço militar obrigou-o a adiar planos de ir para os Estados Unidos, levando-o a aceitar um convite para trabalhar na Renova. “Decidi deixar a teoria por um tempo e mergulhar na prática”, disse.

Com 42 anos de Renova, Paulo descobriu uma nova paixão: o coaching. Ele gosta de acompanhar estudantes universitários e ajudá-los a encontrar o seu caminho. Quando questionado sobre a saída de talentos de Portugal, Paulo mostrou-se otimista, acreditando que as experiências no estrangeiro podem ser benéficas, desde que haja condições para o retorno.

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A conversa também abordou a Europa, onde Paulo se posicionou como um europeísta convicto, defendendo a ideia de uma federação europeia. Ele expressou preocupação com a atualidade geopolítica e a velocidade das mudanças, especialmente com o avanço da Inteligência Artificial. “Se um CEO apresentar agora um plano para os próximos 20 anos, é despedido”, afirmou, refletindo sobre a incerteza do futuro.

Como católico, Paulo não vê incompatibilidade entre a ciência e a fé. “Os físicos buscam o absoluto, assim como os crentes procuram Deus”, disse, acrescentando que não sente contradições entre esses dois mundos.

No final do almoço, recordou a origem do papel higiénico colorido, que surgiu após uma visita ao Cirque du Soleil. Apesar do sucesso, Paulo revelou que o seu foco nos últimos anos tem sido desestruturar a empresa para se adaptar ao mercado global. “Queremos que a Renova seja a marca mais amada, mesmo que não seja a mais comprada”, concluiu.

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Fonte: Sapo

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