Bancos centrais acumulam ouro e afastam-se do dólar

Os bancos centrais em todo o mundo estão a intensificar a acumulação de reservas de ouro, afastando-se progressivamente do dólar norte-americano. Este movimento ocorre num contexto de crescente incerteza económica e tensões comerciais, que têm levado a uma maior desconfiança em relação à divisa dos EUA. Segundo um relatório recente, quase 90% das autoridades monetárias prevêem um aumento nas suas reservas de ouro no próximo ano, com cerca de metade a planear aumentar as suas próprias reservas.

O estudo, que inquiriu 76 bancos centrais entre fevereiro e maio, revela que 89% dos inquiridos antecipam um crescimento nas reservas de ouro a nível global, uma tendência que já se tem verificado nos últimos anos. De facto, 88% dos participantes afirmaram que as suas reservas de ouro aumentaram em comparação com há cinco anos, embora este número tenha diminuído ligeiramente entre as economias avançadas, de 80% para 78%.

A diferença entre as economias avançadas e emergentes é significativa: 45% dos inquiridos planeiam aumentar as suas reservas de ouro, um aumento em relação aos 42% do ano anterior. No entanto, apenas 18% das economias avançadas manifestaram essa intenção, enquanto 53% das economias emergentes estão dispostas a aumentar as suas reservas.

Nos últimos quatro anos, os bancos centrais têm acumulado uma média de mil toneladas de ouro anualmente, o dobro da média da década anterior. Esta aceleração na acumulação de reservas de ouro reflete a incerteza geopolítica e económica que tem dominado as perspetivas dos gestores de reservas.

Com a expectativa de uma perda de relevância do dólar, 62% dos inquiridos acreditam que a percentagem de reservas em dólares deverá descer entre 39% e 41% nos próximos cinco anos. Em contrapartida, 78% dos participantes esperam que o ouro represente entre 27% e 35% do total de reservas nesse mesmo período, sublinhando a tendência de desvalorização da divisa norte-americana em favor do metal precioso.

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As tensões geopolíticas e comerciais podem beneficiar o ouro, como indicam alguns dos inquiridos. A mudança nas reservas é especialmente esperada por países cujas relações com os EUA podem ser afetadas pela política externa norte-americana. Entre os motivos para a crescente relevância do ouro, quase metade dos inquiridos destacou a sua performance em tempos de crise, a sua função como reserva de valor a longo prazo e a sua capacidade de diversificação de portfólio.

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Fonte: Sapo

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