O Mundial de Futebol é um momento em que o mundo se une, mas também é uma oportunidade para refletir sobre a gestão da Seleção Nacional. Sob a liderança de Roberto Martínez, a equipa tem enfrentado desafios que vão além do campo. A gestão da Seleção Nacional não se resume apenas a escolhas táticas, mas envolve uma análise mais profunda sobre a alocação de recursos e a motivação dos jogadores.
A teoria da agência, que estuda o desalinhamento de incentivos entre o selecionador e a Federação, é fundamental para entender os problemas atuais. Martínez parece ter priorizado a gestão do risco político dentro do balneário em detrimento da performance da equipa. Essa abordagem tem levado a uma falta de meritocracia, evidenciada pela forma como tem gerido o tempo de jogo de Cristiano Ronaldo. Tratar um jogador histórico como uma peça inamovível, independentemente da sua forma, é um erro que prejudica a dinâmica da equipa.
Além disso, a exclusão de jovens talentos, como Geovany Quenda, demonstra uma rigidez que pode ser prejudicial. Quando novos jogadores percebem que o seu potencial está limitado por decisões de gestão, a frustração pode substituir o compromisso com a Seleção Nacional. A gestão da Seleção Nacional deve ser capaz de integrar novos talentos, mas a atual abordagem parece estar a bloquear essa evolução.
A qualidade do jogo também tem sido afetada por uma má perceção da gestão de risco. A posse de bola excessiva e estéril, como se viu no jogo contra a República Democrática do Congo, onde Portugal teve 75% de posse mas apenas 7 remates, revela uma falta de inovação. A Seleção Nacional age como uma empresa monopolista, temendo perder a sua posição em vez de se adaptar e inovar. Essa aversão ao risco pode levar à obsolescência tática.
A constante rotação do meio-campo, sem repetir combinações eficazes, retira à equipa a previsibilidade necessária para vencer. Em vez de mitigar riscos, essa abordagem aumenta a incerteza e transforma uma geração talentosa num coletivo sem identidade. A desconexão entre o potencial dos jogadores e o que a equipa entrega em campo é um padrão que se repete na carreira de Martínez, que, apesar de alguns sucessos, não conseguiu conquistar títulos de grande relevância.
A falta de uma estratégia de sucessão e a aversão à mudança são preocupantes. As decisões de liderança devem sinalizar inovação, mas a manutenção de ativos seniores em detrimento de novos talentos indica uma preferência pelo status quo. Essa estagnação pode condenar a Seleção Nacional a um desempenho medíocre, mesmo com a qualidade dos jogadores disponíveis.
É essencial que a Federação Portuguesa de Futebol não continue a aceitar a desvalorização da performance da equipa. O projeto de Martínez parece estar esgotado, e a sua continuidade apenas por questões contratuais não é uma solução. A gestão da Seleção Nacional deve ser orientada para a vitória e a inovação, não para a manutenção de interesses.
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Fonte: ECO





