O Teatro Nacional de São Carlos (TNSC), um ícone da cultura portuguesa, foi inaugurado a 30 de junho de 1793, com a ambição de colocar Lisboa no mapa da ópera erudita europeia. Ao longo dos anos, o teatro recebeu grandes nomes da música, como Maria Callas e Plácido Domingo, e também se destacou no mundo do bailado, acolhendo companhias renomadas. No entanto, desde julho de 2024, o TNSC está encerrado ao público para obras de reabilitação e requalificação, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência.
Com o encerramento, a missão do TNSC não parou. A presidente do Conselho de Administração do OPART, Conceição Amaral, explica que a equipa começou a pensar em como levar a ópera a mais pessoas. “Como é que conseguimos que as pessoas sintam e interpretem a ópera de repertório?”, questiona. A resposta passou por criar exposições itinerantes e levar a ópera a cidades e teatros menores, onde o público tem uma grande apetência por espetáculos líricos.
O desafio é significativo, uma vez que as produções de ópera envolvem entre 150 a 170 pessoas. “É impossível, em termos de orçamento, circular com grandes produções como ‘La Traviata’ ou ‘Carmen’. Precisamos de um modelo diferente que estimule o gosto pela ópera”, afirma Amaral. Assim, o TNSC distribuiu projetos por várias regiões, saindo das grandes cidades para atuar em locais menores, o que resultou numa adesão muito positiva.
A importância do mecenato também é um ponto central na estratégia do TNSC. Amaral sublinha que “ir à procura de um mecenas não é apenas uma questão de dinheiro”, mas sim de encontrar parceiros que se associem à missão do teatro. A parceria com o Novobanco, formalizada em maio, deu origem ao projeto “Eu na Ópera”, que transforma o encerramento temporário do TNSC numa oportunidade de descentralização cultural. Com um financiamento de 200 mil euros por ano durante três anos, o programa irá percorrer nove cidades, começando já este ano em Coimbra.
O entusiasmo é palpável, e Amaral destaca que o encerramento do TNSC tem sido uma grande lição. “Temos um país com uma rica cultura e uma grande absorção pela música e pela ópera”, afirma. Apesar da ideia de que não há público para a ópera, as experiências em cidades sem programação lírica têm demonstrado o contrário. “As pessoas perguntam por que só fazemos uma récita”, revela.
A captação de novos públicos é fundamental para o futuro do TNSC. O programa inclui um projeto de educação musical, “Educar para a Música”, que visa envolver os jovens e identificar novos talentos. O projeto “São Carlos Vai à Escola” já começou em Lisboa e em outras regiões, com uma receção entusiástica por parte das escolas. “Queremos deixar sementes”, conclui Amaral, enfatizando a importância de mostrar aos jovens o que envolve a produção de um espetáculo.
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Teatro Nacional de São Carlos Teatro Nacional de São Carlos Teatro Nacional de São Carlos Teatro Nacional de São Carlos Nota: análise relacionada com Teatro Nacional de São Carlos.
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Fonte: Sapo





