Depreciação cambial pode agravar choque energético, alerta Morningstar DBRS

A depreciação cambial poderá agravar o impacto de choques energéticos, segundo Suneil Ramesh, vice-presidente sénior de Financiamento de Ativos Europeus da Morningstar DBRS. Este fenómeno pode aumentar os custos de importação em moeda local, afetando não apenas a energia, mas também insumos não energéticos em países que dependem de importações.

Ramesh sublinha que muitos países têm tentado mitigar os efeitos destes choques através de intervenções governamentais e medidas de apoio. Contudo, essas ações podem alterar a forma como os custos são distribuídos e alocados na economia. Os choques energéticos e de abastecimento têm um impacto que se propaga através de várias frentes, como custos de combustível, logística e taxas de câmbio, resultando numa distribuição desigual dos efeitos entre setores e países.

Apesar de uma possível normalização das rotas comerciais, especialmente com um acordo entre os Estados Unidos e o Irão, alguns efeitos dos choques energéticos poderão persistir. A Morningstar DBRS alerta que tarifas, recuperação de custos regulada e ajustes de preços em atraso poderão continuar a afetar a economia.

Além disso, a força da procura por produtos e serviços pode não ser suficiente para proteger as margens de lucro das empresas, especialmente em setores onde os custos dos insumos são elevados e voláteis. Um exemplo claro é o setor da aviação, que enfrenta uma previsão de menor rentabilidade devido ao aumento significativo dos preços do combustível.

Os custos de frete também devem permanecer elevados, mesmo com a redução das interrupções nas rotas. Isso resulta em custos de desembarque mais altos para importadores e retalhistas, impulsionados pela procura antecipada da época alta e pelas expectativas de aumentos nas tarifas e sobretaxas das transportadoras.

Por fim, a rentabilidade das empresas industriais poderá ser negativamente afetada pelas variações regionais dos preços da energia. Quando os custos elevados não podem ser repassados aos consumidores sem comprometer a competitividade, ou quando as empresas não beneficiam de alterações na regulamentação do setor energético, a situação torna-se ainda mais complicada.

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Fonte: Sapo

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