Chefe de gabinete da Argentina demite-se por escândalo de corrupção

Manuel Adorni, chefe de gabinete do Presidente argentino Javier Milei, apresentou a sua demissão em meio a um escândalo de corrupção que envolve denúncias de enriquecimento ilícito e branqueamento de capitais. A decisão foi anunciada no sábado, através de uma carta publicada nas redes sociais, onde Adorni expressou a sua gratidão a Milei pelo apoio durante este “processo injusto e doloroso”.

A demissão de Adorni surge após o início de uma investigação por parte do procurador federal Guillermo Marijuán, que se debruça sobre alegações de enriquecimento ilícito contra Francisco Adorni, irmão de Manuel. Este inquérito foi motivado por uma queixa da deputada Marcela Pagano, ex-membro do partido de Milei, La Libertad Avanza (LLA). A deputada levantou questões sobre o aumento do património de Francisco Adorni entre 2024 e 2025, o que gerou preocupações sobre a origem dos seus bens.

Além disso, Manuel Adorni também está a ser investigado por despesas relacionadas com a aquisição e renovação de imóveis, bem como viagens de luxo ao estrangeiro. Este escândalo de corrupção está a afetar a imagem do governo de Milei, com várias sondagens a indicarem uma queda na popularidade do Presidente. Apesar da pressão, Milei manteve o seu apoio a Adorni, que é considerado um dos seus colaboradores mais próximos.

Durante semanas, Adorni defendeu a sua inocência e rejeitou qualquer acusação de crime, embora tenha evitado fornecer detalhes sobre as suas transações financeiras. Contudo, a situação complicou-se quando, em junho, admitiu ter adquirido dólares no mercado negro argentino e ter ocultado 500 mil dólares (aproximadamente 440 mil euros) das autoridades fiscais. Embora esta prática seja comum na Argentina, é tecnicamente ilegal e levanta sérias questões sobre a transparência e a ética dos seus governantes.

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Adorni alegou que o dinheiro foi obtido de forma legítima, incluindo através de investimentos em criptomoedas. O escândalo de corrupção que envolve o chefe de gabinete não só prejudica a reputação de Adorni, mas também lança uma sombra sobre a administração de Milei, que enfrenta desafios significativos em um país já marcado por crises económicas.

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Fonte: Sapo

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