A introdução da inteligência artificial (IA) na advocacia tem gerado um paradoxo interessante: enquanto a tecnologia promete aumentar a eficiência e devolver tempo aos advogados, a sua utilização pode, na verdade, consumir esse mesmo tempo. A IA, muitas vezes, exige que os profissionais verifiquem e validem o trabalho realizado, o que pode transformar uma ferramenta potencialmente útil numa tarefa adicional. Quando a IA não é confiável, a sua utilização torna-se um fardo em vez de uma ajuda.
A confiança na IA depende de dois fatores cruciais: dados de qualidade e transparência. As soluções de IA generalistas tendem a ser demasiado amplas, não se conectando ao conhecimento específico de cada escritório. Cada firma possui um acervo valioso de pareceres, contratos e precedentes, mas a simples ligação da IA a esses dados não é suficiente. É necessário um trabalho prévio de organização e modelação rigorosa para que a informação dispersa se converta em respostas fiáveis.
Além disso, a segurança é uma preocupação premente. O crescimento da IA democratizou o desenvolvimento de software, mas nem todas as ferramentas são adequadas para o contexto jurídico, onde o sigilo profissional é fundamental. A utilização de soluções não certificadas pode representar um risco significativo para advogados e clientes. Por isso, a certificação de segurança, como a ISO 27001, é agora um requisito essencial.
A verdadeira questão não é se a IA será utilizada na advocacia, mas como será integrada nos processos de trabalho. Muitos advogados já utilizam a IA para tarefas como resumo de documentos e pesquisa de jurisprudência. Contudo, a adoção da IA criou um cenário de trabalho fragmentado, onde a colaboração entre equipas é limitada. O futuro passa pela automação de processos de ponta a ponta, permitindo que tarefas como transações imobiliárias ou recuperação de crédito sejam realizadas de forma quase autónoma, libertando os advogados para se concentrarem no que realmente importa: o pensamento crítico e a interação com os clientes.
Contrariamente ao que se possa pensar, a IA não torna os advogados obsoletos; pelo contrário, aumenta a sua relevância. O mercado exige eficiência e, para se destacar, os advogados precisam de saber utilizar as ferramentas de forma eficaz. A vantagem competitiva deixará de estar no acesso à IA, que será comum a todos, e passará a residir na capacidade de a utilizar de forma superior. Assim, surge uma nova classe de advogados híbridos, conhecidos como Legal Engineers, que combinam conhecimentos jurídicos com competências em automatização.
Num ambiente onde as ferramentas de IA se assemelham em funcionalidades, a qualidade da implementação e do suporte ao utilizador torna-se um fator diferenciador. Os advogados não podem esperar longos períodos por soluções a problemas técnicos, especialmente quando estão em curso processos importantes. A rapidez na resolução de questões técnicas é agora uma parte fundamental da experiência de utilização de plataformas jurídicas baseadas em IA. Na Mowly, temos trabalhado para responder a este desafio com um modelo de suporte em tempo real, pois acreditamos que a tecnologia só agrega valor quando acompanha o ritmo da profissão.
O futuro da advocacia não será moldado apenas pela inteligência artificial, mas pela inteligência humana que souber utilizá-la com responsabilidade e rigor. A IA não substitui o julgamento jurídico, a ética ou a confiança, mas está a redefinir a forma como os melhores advogados trabalham. Esta transformação já começou e promete continuar a evoluir.
Leia também: O impacto da tecnologia na profissão jurídica.
IA na advocacia IA na advocacia IA na advocacia IA na advocacia IA na advocacia Nota: análise relacionada com IA na advocacia.
Leia também: Taxa de Desemprego Diminui Apesar de Contratações Fracas
Fonte: ECO





