Soro do leite: de resíduo a um negócio milionário na indústria alimentar

Durante anos, a família Meives tem sido uma referência na produção de queijo no Wisconsin, uma das regiões mais icónicas da indústria leiteira nos Estados Unidos. No entanto, o que outrora era visto como um simples resíduo do processo de produção, o soro do leite, tornou-se o centro de um negócio altamente rentável.

Tony Meives, um membro da família e descendente de mestres queijeiros, decidiu inovar ao comercializar a proteína extraída do soro. Este subproduto, que antes era relegado a um segundo plano, transformou-se num suplemento popular, deixando de ser apenas uma opção para culturistas e ganhando destaque no mercado global. Curiosamente, já no século V a.C., o médico grego Hipócrates recomendava o soro de leite para fortalecer o sistema imunológico dos seus pacientes.

Esta mudança na percepção do soro do leite reflete uma tendência mais ampla: a crescente procura por proteína. Meios como a BBC News e o The New York Times têm destacado o aumento do interesse por dietas ricas em proteína. Atualmente, produtos enriquecidos com este nutriente estão presentes em prateleiras de supermercados, desde cereais a bebidas e snacks. Um estudo recente revelou que mais de 70% dos adultos norte-americanos estão à procura de aumentar a ingestão de proteína nas suas dietas.

Diversos estudos de mercado confirmam que a valorização do soro do leite está inserida numa tendência global de crescimento do consumo de proteína. De acordo com a Grand View Research, o mercado mundial de proteína do soro deverá ser avaliado em cerca de 9,7 mil milhões de dólares até 2025, com um crescimento sustentado previsto para a próxima década. Além disso, o mercado global de suplementos proteicos pode atingir aproximadamente 29,8 mil milhões de dólares em 2025, podendo ultrapassar os 63 mil milhões até 2033.

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O que antes era considerado desperdício, muitas vezes utilizado para alimentação animal ou fertilizantes, é agora visto como um recurso valioso. A proteína do soro é obtida através de processos de filtração e secagem do líquido remanescente da produção de queijo, tornando-se uma fonte concentrada de proteína que pode ser facilmente incorporada em diversos produtos alimentares. Relatórios da Food and Agriculture Organization e do United States Department of Agriculture têm monitorizado estas mudanças no setor alimentar.

A crescente popularidade do soro do leite trouxe consequências económicas significativas. A procura é tão elevada que já se registam escassezes no mercado. Especialistas citados pelo The Guardian e análises do Financial Times indicam que os preços destes derivados do soro aumentaram drasticamente nos últimos anos, alterando o equilíbrio da indústria. Em alguns casos, a produção de queijo é impulsionada não pela necessidade do produto final, mas pela geração de soro.

Além dos fatores económicos, existem também questões sociais e de saúde que impulsionam esta tendência. O aumento do uso de medicamentos para perda de peso levou muitas pessoas a reforçar a ingestão de proteína para preservar a massa muscular. Instituições como a Harvard T.H. Chan School of Public Health sublinham a importância da proteína na manutenção da massa muscular, embora especialistas alertem que o consumo excessivo não resulta necessariamente em maior ganho muscular.

Esta nova “corrida à proteína” apresenta desafios para o setor agrícola. A produção excessiva de queijo, apenas para obter soro, pode gerar desequilíbrios no mercado. Para evitar desperdícios, os produtores estão a explorar novas oportunidades, como a diversificação de produtos e a expansão das exportações, incluindo iogurtes e queijo cottage.

Leia também: O impacto das dietas ricas em proteína na saúde pública.

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soro do leite Nota: análise relacionada com soro do leite.

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Fonte: Sapo

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