A Cimeira da NATO, marcada para os dias 7 e 8 de julho em Ancara, está a gerar grandes expectativas e alguma apreensão entre os aliados. Com o presidente norte-americano Donald Trump a lançar críticas sobre os investimentos em defesa dos países europeus, o tom da reunião promete ser tudo menos festivo. Recentemente, Trump partilhou na sua rede social, Truth Social, um gráfico que revela a disparidade nos gastos com defesa entre os EUA e os seus aliados. Enquanto os Estados Unidos investem cerca de 999 mil milhões de dólares (aproximadamente 873 mil milhões de euros), países como o Reino Unido, França e Itália apresentam valores significativamente inferiores.
A Alemanha, que tem sido alvo de críticas, defendeu-se através do líder da oposição, Friedrich Merz, que afirmou que o país não tem motivos para se envergonhar e que atingirá o objetivo de 3,5% do PIB em defesa até 2029. Este clima de tensão entre líderes antecipa um debate aceso na Cimeira da NATO, onde a questão do investimento em defesa será central.
Portugal, por sua vez, chega a esta cimeira na posição de “bom aluno”. O ministro da Defesa, Nuno Melo, confirmou que o país ultrapassou a meta de 2% do PIB em investimento na defesa, alcançando 2,01%. Este feito é um sinal positivo para a participação de Portugal nas discussões sobre a Cimeira da NATO, mas a crítica de Trump sobre os investimentos europeus pode indicar que a pressão sobre os aliados está longe de terminar.
Além das tensões relacionadas com os investimentos, a Cimeira da NATO em Ancara também deverá abordar a retirada de tropas americanas da região e o impacto que isso terá na capacidade de dissuasão da Aliança. A presença do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, é outro ponto de destaque, assim como a proposta do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, de criar um Banco de Defesa, Segurança e Resiliência, que pretende mobilizar até 100 mil milhões de libras (cerca de 117 mil milhões de euros) para financiar a segurança dos aliados.
A questão do financiamento da segurança na Europa é uma preocupação crescente, especialmente com a expectativa de que Bruxelas continue a libertar fundos para este propósito. Contudo, a incerteza sobre quem irá financiar esses esforços poderá ser um tema de debate importante no próximo Conselho Europeu, agendado para outubro.
Em Portugal, o Governo está a preparar-se para o maior investimento em defesa da sua história recente, através de um pacote de empréstimo de 5,8 mil milhões de euros do SAFE. Nuno Melo afirmou que, se depender do Governo, os primeiros contratos deverão ser assinados até ao final de julho, com os equipamentos a chegarem em 2029. No entanto, a confiança em que este cronograma se concretize é limitada, uma vez que apenas três dos 19 países candidatos ao SAFE fecharam contratos com Bruxelas até agora.
A Cimeira da NATO em Ancara será, portanto, um momento crucial para definir o futuro da Aliança e o papel da Europa na segurança global. Leia também: O impacto da Cimeira da NATO nas relações transatlânticas.
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Fonte: ECO





