A NATO, a aliança militar que une 32 países, irá reafirmar o seu compromisso com o Artigo 5 do Tratado, que estabelece a defesa mútua entre os aliados. Esta declaração será feita na cimeira que terá lugar em Ancara, na Turquia, na próxima semana. O documento, já negociado entre os embaixadores dos países-membros, também classifica a Rússia como uma “ameaça a longo prazo” para a segurança e estabilidade da região euro-atlântica.
Além disso, a cimeira incluirá uma declaração clara de que “o Irão jamais poderá ter uma arma nuclear”. Os aliados da NATO comprometeram-se ainda a fornecer um apoio adicional de 70 mil milhões de euros à Ucrânia, com a expectativa de que os níveis de apoio se mantenham até 2027. A declaração final da cimeira será divulgada após a sua aprovação pelos líderes, prevista para o dia 8 de julho.
A administração Trump, que recentemente regressou à Casa Branca, tem manifestado dúvidas sobre o apoio dos Estados Unidos a países europeus que não contribuem de forma justa para a segurança da NATO. Durante a cimeira, os membros europeus da aliança tentarão convencer a administração a reconhecer que a responsabilidade pela segurança europeia não deve recair exclusivamente sobre os Estados Unidos. Este movimento é parte do que se designa por NATO 3.0, um novo paradigma de segurança onde a Europa assume um papel mais ativo na sua própria defesa.
Contudo, a situação é complexa. A retirada de tropas dos Estados Unidos da Europa, especialmente na Alemanha, levanta questões sobre a capacidade da NATO em responder a ameaças. Em maio, os Estados Unidos anunciaram a redução de recursos militares disponíveis para a NATO, o que inclui bombardeiros, caças e navios de guerra. Esta decisão foi influenciada pela recusa de alguns aliados europeus em apoiar os Estados Unidos na sua estratégia no Médio Oriente. Um exemplo notável é o de Espanha, cujo governo, liderado por Pedro Sánchez, fechou bases aéreas à utilização americana.
Na cimeira, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, irá pressionar para que a Europa e o Canadá aumentem os seus gastos em defesa em 20% em relação ao ano anterior, com um objetivo de 5% do PIB. No entanto, a Espanha já conseguiu uma exceção, mantendo os seus gastos ligeiramente acima dos 2%.
Entretanto, Donald Trump não hesitou em criticar a NATO nas redes sociais, afirmando que é “ridículo” os Estados Unidos continuarem a sustentar a aliança sem uma relação recíproca. O ex-presidente partilhou um gráfico que ilustra os gastos dos países-membros com a NATO, revelando que os Estados Unidos gastam cerca de 999 mil milhões de dólares, em comparação com valores significativamente mais baixos de países como o Reino Unido, França, Itália e Polónia.
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Fonte: Sapo





