Protesto na Costa de Caparica exige soluções para falta de água

Cerca de 1.500 pessoas reuniram-se na quarta-feira na Costa de Caparica para protestar contra a falta de água que afeta a região. Os manifestantes exigiram soluções imediatas para o problema e pediram a demissão da presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros. Inicialmente, o protesto seria um cordão humano, mas acabou por se transformar num desfile que percorreu o trajeto entre o Centro Comercial O Pescador e a rotunda de acesso ao IC21, sob a vigilância de um forte dispositivo da GNR.

As palavras de ordem dirigidas a Inês de Medeiros, do Partido Socialista, foram claras: “Inês para a rua, Almada não é tua”. Os moradores responsabilizam a autarca pela situação crítica do abastecimento de água. João Paulo, residente em Santo António da Caparica, descreveu a situação como “insuportável”, referindo que “quando as pessoas acordam cedo para trabalhar e chegam à torneira sem uma gota de água, é revelador da incompetência da governação da Câmara Municipal de Almada”.

O morador também criticou a falta de aproveitamento de fundos europeus destinados à melhoria da rede de abastecimento. “A Câmara sabia que existiam meios da União Europeia para substituir e melhorar o sistema de distribuição de água e não o fez, por incúria ou incompetência”, sustentou. João Paulo pediu a demissão de Inês de Medeiros, afirmando que “ou ela pede a demissão ou o secretário-geral do PS lhe tira a confiança política”.

Márcia Tavares, residente há 30 anos na Costa de Caparica, considerou a situação atual inaceitável. “É uma vergonha. Tivemos dias seguidos sem água, com temperaturas de 30 e 40 graus, e ninguém dá uma explicação nem assume responsabilidades”, lamentou. Para ela, a falta de água tem afetado crianças, idosos e lares, e a gestão do abastecimento deveria ser mais equitativa entre as freguesias.

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Ana Paula Gonçalves, também residente na Costa de Caparica, expressou a sua preocupação ao sair do trabalho sem saber se teria água para tomar banho. “Os canos estão degradados há muitos anos. Agora dizem que vão fazer furos, mas isso não resolve tudo”, afirmou. Maria Manuela, de 80 anos, disse nunca ter vivido uma situação semelhante, relatando que agora passa noites acordada à espera de ouvir o autoclismo encher.

O deputado do Livre, Paulo Muacho, esteve presente na manifestação para mostrar solidariedade e exigir respostas das entidades responsáveis. “Estas pessoas estão sem água há vários dias e precisam de uma resposta das entidades públicas. O problema tem de ser resolvido com urgência”, afirmou. O Livre já solicitou audições parlamentares para apurar as causas das falhas no abastecimento.

A Câmara Municipal de Almada anunciou que 15 localidades estiveram sem água entre as 22h00 de quarta-feira e as 6h00 de quinta-feira, como parte das medidas para restabelecer as reservas. As localidades afetadas incluem Charneca da Caparica, Aroeira e Fonte da Telha. A autarquia informou que o restabelecimento do abastecimento será gradual, podendo variar entre as zonas afetadas.

Nos últimos dias, muitos moradores têm relatado sucessivas falhas no abastecimento de água, levando a Câmara a decretar uma situação de alerta. Durante este período, serão implementadas restrições ao consumo de água para preservar este recurso essencial. As medidas incluem cortes no abastecimento em determinadas zonas e a proibição de usos não essenciais da água da rede pública.

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Fonte: ECO

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