Centeno critica poupanças no novo projeto da sede do Banco de Portugal

O ex-governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, levantou questões sobre as alegadas poupanças de cerca de 40 milhões de euros no novo projeto para a sede da instituição em Lisboa. As declarações surgiram após o atual governador, Álvaro Santos Pereira, ter apresentado a nova abordagem ao projeto, que agora prevê a ocupação de um único edifício, denominado A1, nos antigos terrenos da Feira Popular, em Entrecampos. Inicialmente, o plano contemplava dois edifícios, A2 e A3.

Centeno, que foi ouvido no Parlamento, sublinhou que as contas não são tão simples quanto parecem. Ele argumentou que, embora o Banco de Portugal afirme ter conseguido poupanças, a realidade pode ser diferente. “Quando poupamos, mas temos menos recursos, não é bem uma poupança, é outra coisa”, afirmou, referindo-se à manutenção dos serviços de tesouraria na sede atual, na Rua do Ouro, em vez de os transferir para a nova sede.

O ex-governador destacou que, segundo as contas feitas até setembro do ano passado, o custo associado à tesouraria na sede era de cerca de 2 milhões de euros anuais. “Em 50 anos, isso soma 100 milhões de euros”, frisou, questionando a lógica das poupanças anunciadas. Além disso, Centeno notou que o edifício A1 é menor do que a soma das áreas dos edifícios A2 e A3, o que levanta dúvidas sobre a viabilidade do novo projeto.

“Se em vez de secretárias de 1,4 metros forem de 80 centímetros, se calhar cabe”, ironizou Centeno, sugerindo que a redução do espaço disponível pode não ser a solução ideal. Ele também mencionou que, se o Banco de Portugal decidisse vender os edifícios A2 e A3, estes já teriam valorizado 10 milhões de euros desde a sua aquisição. “Não sei se acham que 10 milhões de euros é pouco na valorização de um investimento para o qual se gastou 57 milhões de euros, que foi o sinal dado, em menos de um ano”, acrescentou.

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A discussão sobre as poupanças do Banco de Portugal levanta questões importantes sobre a gestão dos recursos da instituição e a eficácia das decisões tomadas em relação ao novo projeto da sede. A análise de Centeno sugere que, embora as poupanças sejam uma prioridade, é fundamental considerar a qualidade e a funcionalidade do espaço de trabalho.

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Fonte: ECO

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