Crescimento da receita bruta do cinema em Portugal, mas menos espetadores

Os números do cinema em Portugal referentes ao primeiro semestre de 2026 foram recentemente divulgados pelo Instituto de Cinema e Audiovisual (ICA). Apesar de um crescimento significativo na receita bruta, o número de espetadores nas salas de cinema registou uma queda.

A receita bruta nas salas de cinema atingiu 37,2 milhões de euros, um aumento de 5,8% em comparação com os 35,1 milhões de euros do mesmo período do ano anterior. Este crescimento da receita bruta do cinema é um sinal positivo para a indústria, mas a diminuição de 2% no número de espetadores levanta questões sobre o futuro do sector.

Os filmes mais vistos até 30 de junho foram, em primeiro lugar, “A Criada”, de Paul Feig, com 549.525 espetadores. Seguiram-se “Michael”, de Antoine Fuqua, com 403.252 espetadores, e “O Diabo Veste Prada 2”, de David Frankel, que atraiu 352.170 espectadores. Todos estes filmes são de origem norte-americana, o que destaca a predominância do cinema dos EUA nas preferências do público português.

No que diz respeito ao cinema nacional, o filme “Projecto Global”, do cineasta Ivo M. Ferreira, foi o mais visto, com 9.125 espetadores. Em segundo lugar, ficou “Entroncamento”, de Pedro Cabeleira, com 8.067 espetadores. Este cenário é revelador da luta contínua do cinema português para captar a atenção do público, especialmente num mercado dominado por produções estrangeiras.

Até junho de 2026, foram estreadas em Portugal 216 longas-metragens, das quais 29,2% eram de origem norte-americana e 49,5% europeias. No entanto, o número de espetadores para filmes europeus foi de apenas 8,1%, enquanto os filmes norte-americanos representaram 67,2% do total de espectadores. Este contraste evidencia a preferência do público por produções de Hollywood, mesmo com a diversidade de opções disponíveis.

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Além disso, o mercado de distribuição cinematográfica em Portugal está altamente concentrado. Três empresas — NOS Lusomundo Audiovisuais, Cinemundo e Pris Audiovisuais — dominam o sector, representando 83,6% da quota de mercado em termos de espetadores. Esta concentração pode ter um impacto significativo na diversidade de filmes que chegam às salas, bem como nas escolhas dos espectadores.

A receita bruta do cinema é um indicador importante da saúde da indústria, mas a queda no número de espetadores sugere que há desafios a serem enfrentados. A indústria cinematográfica em Portugal precisa de encontrar formas de atrair mais público para as salas, garantindo que a receita continue a crescer.

Leia também: O impacto da pandemia na indústria cinematográfica em Portugal.

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Fonte: Sapo

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