A Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) manifestou a sua prontidão para implementar os transportes gratuitos para os residentes da cidade. Luís Osório, presidente da STCP, afirmou que a empresa está preparada para adaptar o serviço, embora não tenha certezas absolutas sobre a eficácia dessa medida. Durante a conferência de abertura da Entre Linhas – Festa do Ferroviário, que decorre em Ermesinde, Osório destacou que a simples adição de autocarros não resolverá os problemas de mobilidade.
“Não adianta pensar que por meter mais 10 autocarros às cinco da tarde no centro do Porto se irá resolver algum problema”, sublinhou. O foco, segundo o presidente, deve ser a melhoria da eficiência dos transportes existentes, em vez de aumentar a frota sem um planeamento adequado. “O que eu tenho de fazer é que os que andam, andem melhor. Isso sim é uma solução”, afirmou.
Osório também mencionou que, mais importante do que a gratuitidade dos transportes públicos, é a criação de novas faixas BUS. Até ao final do ano, a cidade do Porto verá a adição de seis quilómetros de faixas dedicadas, o que, segundo ele, terá um impacto operacional significativo. “Percentualmente é muito, numa cidade que não tem espaço. Portanto, isto para nós vai significar muito mais em termos de impacto operacional do que qualquer outra coisa”, disse.
A discussão sobre a troca de lugares de estacionamento por faixas BUS foi também abordada. Osório reconheceu que essas decisões são sempre difíceis, pois podem desagradar alguns cidadãos. “É preciso alguém com coragem política. E essa coragem política, fazer agora mais seis quilómetros, existe. E vai acontecer”, afirmou, acrescentando que a gratuitidade dos transportes pode facilitar a implementação de restrições ao trânsito automóvel.
No debate, Nuno Neves de Sousa, presidente da Transportes Metropolitanos do Porto (TMP), partilhou a sua experiência no setor, destacando que as cidades mais avançadas do mundo têm vindo a restringir o estacionamento à superfície para resgatar espaço para os peões. Citou exemplos de Barcelona e Paris, onde a pedonalização e a redução do uso do automóvel têm trazido benefícios significativos.
A especialista em mobilidade, Paula Teles, também comentou a questão da gratuitidade dos transportes, sugerindo que esta pode ser uma forma de sinalizar o apoio à utilização do transporte público antes de se retirar espaço ao automóvel. “Nós precisamos mesmo de resgatar espaço automóvel para o transporte público”, defendeu.
A professora universitária Cecília Silva alertou para a importância do planeamento territorial, afirmando que os problemas de mobilidade atuais resultam da falta de planeamento no passado. “Se o território evoluir como quer, depois não vai haver soluções milagrosas”, concluiu.
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Fonte: ECO





