El Niño pode provocar aumento nos preços dos alimentos até 2028

Economistas estão a alertar para os potenciais impactos do fenómeno meteorológico conhecido como “super” El Niño, que poderá provocar um choque severo nos preços dos alimentos a nível global. Este fenómeno, que se espera que se intensifique até 2028, surge num contexto de aumento dos custos de vida, exacerbado pela guerra no Irão, que já elevou os preços dos alimentos para o nível mais alto em três anos.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, as cadeias de abastecimento estão a enfrentar “dois choques em simultâneo”, impulsionados por condições meteorológicas extremas que estão a ser exacerbadas pelo aquecimento global. O El Niño, que ocorre quando alterações nos padrões de vento permitem que águas mais quentes se espalhem pelo Pacífico equatorial, tem uma probabilidade historicamente elevada de evoluir para um evento muito forte, o que poderá resultar em ondas de calor, inundações e outras condições climáticas adversas.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) confirmou recentemente que as condições de aquecimento estão a instalar-se no Pacífico, com uma probabilidade de 63% de que as temperaturas da superfície do mar ultrapassem 2°C acima do normal até ao final do ano. Este fenómeno poderá agravar ainda mais a pressão sobre as famílias, que já estão a sentir os efeitos do aumento do custo de vida.

Os especialistas alertam que um El Niño extremo pode trazer um novo choque inflacionista, o que preocupa os bancos centrais e aumenta o receio de que as taxas de juro se mantenham elevadas. Analistas do banco italiano UniCredit referem que o El Niño traz de volta a questão da “climaflação”, indicando que as recentes ondas de calor na Europa são um sinal de que as condições climáticas estão a mudar.

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Historicamente, o El Niño tem perturbado colheitas e redes de abastecimento alimentar. Eventos passados, como o de 1876-78, causaram secas devastadoras em várias regiões do mundo, resultando em milhões de mortes. Os episódios mais recentes, como os de 2015-16, demonstraram a intensidade deste fenómeno, mas as previsões da NOAA indicam que o ciclo de 2026-27 poderá ser ainda mais severo, aumentando o risco de secas e inundações que afetarão as colheitas.

Analistas do Goldman Sachs estimam que a intensidade deste El Niño poderá resultar numa subida de 15,8% nos preços globais das matérias-primas alimentares. Este aumento terá um efeito em cadeia, com previsões de um aumento de 1,3% nos preços dos alimentos na zona euro. Contudo, os efeitos completos deste fenómeno poderão demorar a ser sentidos, com as consequências a poderem concretizar-se apenas no segundo semestre de 2028.

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Fonte: Sapo

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