Mercados atentos a ASML e Warsh após queda da inflação nos EUA

Os mercados iniciam a sessão de quarta-feira influenciados pela recente desaceleração da inflação nos Estados Unidos, divulgada na terça-feira, e por uma agenda repleta de resultados empresariais e intervenções de bancos centrais.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos EUA registou uma queda de 0,4% em junho, após um aumento de 0,5% em maio. Esta diminuição levou a taxa de inflação homóloga a moderar-se para 3,5%, abaixo dos 3,8% previstos pelos analistas. Este resultado representa uma significativa redução em relação aos 4,1% de maio. A inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, manteve-se praticamente estável, com um crescimento de 0,0% em comparação com o aumento de 0,2% esperado. Assim, a taxa homóloga caiu para 2,6%, comparada com os 2,8% esperados e os 2,9% de maio.

Após uma sessão de ganhos generalizados na terça-feira, com exceção do PSI, que foi penalizado pela Galp, os investidores europeus aguardam com expectativa os resultados da ASML. A multinacional holandesa de equipamentos para semicondutores irá divulgar as suas contas do segundo trimestre antes da abertura da bolsa de Amesterdão. As suas ações já valorizam mais de 60% este ano, o que eleva as expectativas do mercado. O consenso prevê um crescimento das receitas trimestrais de cerca de 15%, atingindo os 8.810 milhões de euros. Os operadores de opções antecipam um movimento superior a 8% nas ações após a divulgação dos resultados, o que é superior à média das últimas quatro apresentações. As contas da ASML são frequentemente vistas como um termómetro para o setor tecnológico europeu e para o investimento em infraestruturas de inteligência artificial, pelo que qualquer surpresa poderá impactar o mercado, incluindo as empresas portuguesas com exposição à cadeia de valor tecnológica.

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Além disso, a quarta-feira traz resultados da Johnson & Johnson e de outras cotadas norte-americanas, bem como a publicação dos dados do PIB do segundo trimestre da China, um indicador que influencia o sentimento em torno das empresas europeias com forte presença no mercado chinês, como as do setor automóvel e de luxo.

Na agenda de Wall Street, os resultados do segundo trimestre estão em destaque, após uma sessão marcada pela queda acentuada da IBM e por resultados mistos na banca. O foco dos investidores estará dividido entre os resultados corporativos e dois eventos macroeconómicos importantes: o Índice de Preços no Produtor (PPI) de junho e o depoimento do presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, perante a Comissão Bancária do Senado.

Os economistas do Deutsche Bank esperam que o PPI ajude a completar o quadro do índice de inflação PCE subjacente, que é a referência preferida da Fed. O Livro Bege da Fed também será publicado, oferecendo uma leitura qualitativa da atividade económica, num momento em que o mercado tenta perceber se a queda da inflação de junho é sustentável.

Com a recente correção nos preços do petróleo e a diminuição da inflação, o depoimento de Warsh deverá ser analisado atentamente, especialmente em busca de sinais sobre uma possível redução das taxas de juro, ou se haverá resistência a essa pressão política.

No que diz respeito ao petróleo, os contratos do Brent e do WTI mantêm-se em máximos de um mês, apesar do recuo nas tensões geopolíticas. O mercado deverá continuar a oscilar entre este alívio e a leitura dos dados de inventários semanais dos EUA.

As obrigações do Tesouro dos EUA reagiram rapidamente à inflação mais baixa, com a yield da Treasury a 10 anos a cair para 4,583%. Para quarta-feira, o PPI e o depoimento de Warsh no Senado deverão ser os principais catalisadores de nova volatilidade nas yields.

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A moeda norte-americana foi uma das mais penalizadas pela surpresa na inflação, com o índice DXY a recuar para perto de 100,70. O euro, por sua vez, avançou cerca de 0,60% face ao dólar. A atenção do mercado cambial estará centrada no PPI e no discurso de Warsh, que poderá reforçar ou atenuar a narrativa de menor pressão sobre a Fed.

Leia também: O impacto da inflação nos mercados financeiros.

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Fonte: Sapo

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