O embaixador do Irão em Lisboa, Majid Tafreshi, abordou a ausência do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, em público, desdramatizando a situação. Em entrevista à Lusa, Tafreshi explicou que a promessa de Khamenei de vingar a morte do pai, Ali Khamenei, está inserida num contexto de luto e segurança. Ali Khamenei faleceu a 28 de fevereiro, após bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel, e as cerimónias fúnebres terminaram a 9 de março.
Tafreshi sublinhou que o Irão está a cumprir os acordos de cessar-fogo, afirmando que a obediência a estes compromissos é um valor islâmico fundamental. O embaixador argumentou que a falta de aparições públicas de Khamenei deve-se a questões de segurança, uma vez que “os nossos inimigos estão a procurar encontrar pessoas inocentes”.
Apesar da ausência em eventos públicos, Tafreshi assegurou que Khamenei já se manifestou através de mensagens, enfatizando que a sua segurança é prioritária. “Ele está a fazer o seu trabalho, nomeou várias pessoas para cargos políticos e judiciais”, afirmou o diplomata.
Além disso, Tafreshi reiterou a soberania do Irão sobre o estreito de Ormuz, uma rota crucial para as exportações de petróleo a nível global. O embaixador acusou os Estados Unidos de violar o acordo de cessar-fogo, atacando navios iranianos sem justificação. “Os EUA são a principal causa dessa violação”, disse, referindo-se à necessidade de garantir a paz na região.
O embaixador também defendeu que o Irão não procura guerra, mas sim um ambiente de paz e segurança. “Não precisamos de atores estrangeiros na nossa região”, afirmou, destacando que o país está aberto a investimentos que promovam a paz, mas não à criação de bases militares.
Tafreshi concluiu que o Irão aspira a um Médio Oriente livre de armas nucleares e químicas, enfatizando a importância de um diálogo genuíno para a paz. “Precisamos de turistas, não de terroristas”, reiterou, sublinhando a necessidade de um compromisso com a segurança e o bem-estar da população.
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Fonte: Sapo





