Portugal deve acelerar na Inteligência Artificial para não ficar para trás

Portugal corre o risco de ficar para trás na corrida à Inteligência Artificial (IA). Este alerta é claro e imediato, mas não se deve a uma falta de talento. Os engenheiros e cientistas de dados portugueses estão entre os melhores do mundo. O verdadeiro desafio reside na escala, velocidade e subinvestimento, especialmente quando comparados com ecossistemas mais desenvolvidos, como os dos Estados Unidos, Reino Unido e norte da Europa.

Se a IA é considerada a eletricidade do século XXI, a janela de oportunidade para que Portugal não seja apenas um consumidor dependente desta tecnologia está a fechar-se. Para evitar isso, é necessário agir em três frentes: empresas, governo e universidades. O maior obstáculo não é a tecnologia em si, mas sim a cultura organizacional.

Muitas empresas em Portugal ainda veem a Inteligência Artificial como uma ferramenta para reduzir custos ou aumentar a produtividade individual. No entanto, essa visão é limitada. A IA não deve ser encarada apenas como um meio para automatizar tarefas do passado, mas sim como uma oportunidade para reconfigurar modelos de negócio e criar valor no futuro. A hiperpersonalização de produtos e serviços, que antes era economicamente inviável, agora é possível graças à IA criativa. As empresas que não se adaptarem rapidamente a esta nova realidade correm o risco de serem ultrapassadas pela concorrência.

Nos próximos cinco anos, a diferença entre as empresas que prosperam e as que desaparecem não será determinada apenas pelo orçamento ou pela qualidade dos engenheiros. A chave será a capacidade de adaptação de cada organização, que se resume a três fatores principais:

1. Custo marginal zero versus estruturas rígidas: As empresas que se destacam conseguiram reconfigurar os seus modelos de negócio para operar com custos marginais próximos de zero na criação de valor. As que permanecem ancoradas em processos antigos e burocráticos, utilizando a IA apenas como uma solução temporária, enfrentarão dificuldades.

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2. Soberania de dados versus dependência de terceiros: Os modelos de IA disponíveis no mercado tornaram-se uma commodity acessível. O verdadeiro diferencial competitivo reside na capacidade de cada empresa de utilizar dados próprios, limpos e unificados. As empresas que apenas compram licenças de software e utilizam dados desorganizados estão a comprometer a sua propriedade intelectual.

3. Organizações ágeis versus hierárquicas: As empresas que liderarão o futuro são aquelas que adotaram uma cultura organizacional ágil e descentralizada. Organogramas achatados e equipas multidisciplinares são essenciais para a inovação. As que mantêm estruturas hierárquicas rígidas e um medo do erro não conseguirão acompanhar a evolução do mercado.

Para que Portugal não perca esta oportunidade, é fundamental que empresas, governo e universidades atuem em conjunto. As empresas, especialmente as pequenas e médias, devem mudar o foco de eficiência a curto prazo para a criação de novos modelos de receita, começando pela organização dos seus dados. O governo, por sua vez, precisa desburocratizar e oferecer incentivos claros para o investimento em tecnologia. Já as universidades devem adaptar os seus currículos para incluir a IA em todas as áreas de estudo, promovendo parcerias com o setor privado.

O futuro do mercado dividir-se-á entre empresas que utilizam a IA para moldar as suas estratégias e aquelas que, apesar de ainda operarem, perderão relevância. A escolha que cada líder deve fazer não é se deve ou não adotar a Inteligência Artificial, mas sim se quer ser o protagonista na transformação da sua indústria ou permanecer à margem enquanto a concorrência avança.

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Inteligência Artificial Nota: análise relacionada com Inteligência Artificial.

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Fonte: Sapo

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