Os lesados do Banco Privado Português (BPP) aguardavam há muito por esta notícia: a comissão liquidatária do banco, que faliu em 2010, está prestes a pagar cerca de 80 milhões de euros aos credores comuns. Este valor representa aproximadamente 8,4% do total dos créditos reconhecidos.
Numa carta enviada ao tribunal, a comissão, liderada por Manuel Mendes Paulo, justifica este reembolso parcial com o facto de ter já sido liquidado quase todo o capital dos créditos garantidos e privilegiados. Assim, “encontram-se reunidas as condições para se proceder a rateios parciais a credores comuns”, afirma a comissão.
A liquidação do património do BPP gerou até agora cerca de 436 milhões de euros em liquidez. Após a retenção de aproximadamente 15 milhões de euros para despesas já realizadas e a pagar a credores garantidos e privilegiados, que receberam cerca de 341 milhões de euros, sobram cerca de 79 milhões de euros. Este montante será agora distribuído entre aproximadamente 5.600 credores comuns, que têm um total de créditos reconhecidos de 944 milhões de euros, já deduzidos dos valores pagos pelo Fundo de Garantia de Depósitos e pelo Sistema de Indemnização aos Investidores.
Entre os credores mais conhecidos estão o atual selecionador da seleção nacional de futebol, Jorge Jesus, o ex-futebolista Luís Figo e o CEO da Impresa, Francisco Pedro Balsemão. Jorge Jesus tem direito a 27 mil euros de um crédito de 321 mil euros, já parcialmente reembolsado. Luís Figo receberá 44,6 mil euros de um total de 531 mil euros, enquanto Balsemão, com um crédito de 600 mil euros, será reembolsado em cerca de 56 mil euros.
A comissão liquidatária também informou que está a trabalhar na recolha, verificação e atualização dos dados pessoais dos credores, incluindo a validação de IBAN para facilitar os pagamentos. Até à semana passada, mais de 2.000 credores tinham os seus processos completos, mas ainda faltavam cerca de 3.600. A comissão revelou que 1.200 credores têm saldos reconhecidos abaixo de 100 euros.
O BPP, que faliu há 16 anos, apresenta a maior lista de credores entre os bancos falidos em Portugal nas últimas duas décadas, com um total de 6.000 credores, incluindo clientes, investidores e fornecedores, que reclamam créditos que somam 1,6 mil milhões de euros. O fundador e ex-presidente do BPP, João Rendeiro, e outros ex-administradores foram acusados de crimes económico-financeiros entre 2003 e 2008. Rendeiro faleceu a 12 de maio de 2022, numa prisão na África do Sul, após ter estado em fuga da justiça portuguesa.
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Fonte: ECO





