A recente fusão da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) com a Agência Nacional de Inovação (ANI) tem gerado um intenso debate na comunidade científica em Portugal. Anunciada pelo Governo no verão de 2025, a reforma visa otimizar a investigação e a inovação no país, mas suscita preocupações sobre a autonomia da ciência.
Em entrevista ao ECO, João Ferreira, secretário de Estado da Economia, e Helena Canhão, secretária de Estado da Ciência e Inovação, defendem a nova Agência para a Investigação e Inovação (AI²) como uma oportunidade para fortalecer a ligação entre a investigação e as empresas, ao mesmo tempo que garantem a manutenção da avaliação científica independente. “A avaliação científica da AI² é completamente independente”, assegura Helena Canhão.
Os governantes sublinham que a reforma é necessária para tornar o sistema mais eficiente e aumentar a transferência de conhecimento para a economia. João Ferreira alerta que, se a máquina administrativa menos burocrática não for alcançada em cinco anos, será um fracasso. “Não podemos querer transformar mantendo tudo na mesma”, afirma.
A comunidade científica expressou preocupações sobre a possível fragilização da investigação fundamental com a fusão. Contudo, Helena Canhão acredita que, ao esclarecer os objetivos da nova agência, a confiança da comunidade aumentou. “O objetivo não é diminuir a cultura de excelência, mas sim reduzir a fragmentação do sistema”, diz.
A AI² pretende envolver o setor empresarial, e João Ferreira destaca que quase dois terços das propostas recebidas até agora provêm desse setor. “Estamos a dar uma atenção especial à nossa rede de transferência de conhecimento”, acrescenta, enfatizando a importância de conectar a investigação com as necessidades das empresas.
Portugal tem mostrado um crescimento significativo no número de startups e unicórnios, superando as expectativas para um país da sua dimensão. No entanto, o grande desafio continua a ser a transferência de conhecimento para as empresas, que não ocorre de forma uniforme. “As grandes empresas têm uma capacidade diferente e mais rápida do que a maioria das nossas PME”, explica João Ferreira.
A criação da AI² visa eliminar os obstáculos existentes na transferência de conhecimento, com o objetivo final de aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) e melhorar as condições de vida dos portugueses. “O nosso foco é criar valor para o país”, afirma João Ferreira.
Helena Canhão acrescenta que a ligação entre empresas e cientistas é crucial para estimular novas ideias e resolver problemas concretos. “O valor não está apenas no produto que se vende de imediato, mas também nas descobertas que podem ter impacto a longo prazo”, conclui.
O Governo está a preparar-se para o novo programa-quadro da União Europeia para 2028-2034, o que permitirá a Portugal estar mais bem posicionado para aproveitar as oportunidades de financiamento. A AI² já está a trabalhar para garantir que a administração pública se torne mais eficiente desde o início da sua operação, evitando disrupções durante a transição.
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Fonte: ECO





