No debate do Estado da Nação, Luís Montenegro, primeiro-ministro e líder do PSD, aproveitou a ocasião para criticar a colaboração entre o PS e o Chega, que, segundo ele, está a travar a possibilidade de novas descidas do IRS. Montenegro afirmou que as alianças entre os dois partidos resultaram em um impacto permanente nas contas públicas, estimado entre 1.200 e 1.300 milhões de euros, o que limita a capacidade do Governo de implementar novas reduções fiscais.
Durante o debate, que se prolongou por mais de quatro horas, o primeiro-ministro defendeu que, sem essa “fatura” imposta pela coligação negativa, o Executivo teria mais margem para avançar com a redução do IRS. “Se tivéssemos mais 1.300 milhões, podíamos descer ainda mais o IRS”, afirmou, responsabilizando diretamente o PS e o Chega pelas decisões tomadas na Assembleia da República.
Montenegro também criticou as alterações relacionadas ao IVA da eletricidade e ao prémio salarial para jovens, argumentando que estas medidas congelaram o aumento das propinas e limitaram a eficácia da política fiscal. “Chega e PS escolheram congelar o aumento de 13 euros por ano das propinas”, disse, sublinhando que essas decisões criam injustiças entre os contribuintes.
A oposição não hesitou em contra-atacar, acusando o Governo de falhar em momentos críticos. José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, afirmou que o país chegou a este debate em pior estado do que há dois anos, destacando falhas na gestão de crises como as tempestades e a habitação. “O sentimento entre os portugueses é que o Governo não encontra o Estado e o Estado não encontra o Governo”, disse Carneiro.
André Ventura, líder do Chega, aproveitou a oportunidade para desafiar Montenegro a apresentar uma nova moção de confiança ao Governo, alegando que o Executivo está em “decomposição acelerada”. Ventura criticou ainda as ausências do primeiro-ministro em momentos críticos, como a correção dos exames nacionais, afirmando que “Portugal precisa de um primeiro-ministro que trabalhe pelo país”.
Montenegro, por sua vez, defendeu a confiança nos seus ministros e rejeitou a ideia de que existe um “caos” na correção dos exames, embora tenha admitido algumas falhas técnicas. “Nunca o processo foi tão transparente e rigoroso como agora”, afirmou, garantindo que a publicação das notas ainda está prevista.
O debate acirrado entre os líderes políticos reflete a crescente tensão no panorama político português, com a redução do IRS a ser um tema central nas discussões. Leia também: O impacto das alianças políticas nas finanças públicas.
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Fonte: ECO





