Mar Vermelho em risco de bloqueio devido a tensões no Médio Oriente

A situação no Médio Oriente está a agravar-se, com o Irão a ordenar ao grupo Houthi, que controla parte do Iémen, que se prepare para bloquear a navegação no Estreito de Bab el-Mandeb. Esta passagem é crucial, pois liga o Mar Vermelho ao Canal do Suez, e um eventual bloqueio poderá ter repercussões devastadoras para o comércio global. O impacto sobre a inflação poderá ser significativo, especialmente se o comércio mundial não conseguir operar em segurança nesta região.

De acordo com agências internacionais, a retaliação do regime iraniano está condicionada a um ataque das forças dos Estados Unidos à infraestrutura energética do Irão. O presidente norte-americano, Joe Biden, tem demonstrado uma postura firme e não deverá hesitar em responder a qualquer provocação. Os analistas preveem que a situação tende a piorar antes de se alcançar uma normalidade, que poderá não estar longe, mas que ainda parece distante.

O preço do petróleo já começou a refletir esta incerteza. O barril de brent subiu quase 10% numa única sessão, consolidando-se acima dos 85 dólares. Esta escalada é um reflexo do pânico dos investidores face à possibilidade de um bloqueio simultâneo nos dois principais pontos de estrangulamento energético do mundo: o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho. O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, também seguiu a tendência, com uma alta superior a 9%, fixando-se acima dos 80 dólares por barril.

Wael Makarem, estratega de mercados financeiros da Exness, alertou que interrupções simultâneas em Hormuz e Bab el-Mandeb aumentariam a pressão sobre as cadeias de fornecimento e elevariam os prémios dos seguros. Em junho, o volume de petróleo que transitou por Bab el-Mandeb atingiu 7,4 milhões de barris por dia, representando cerca de 7% da produção global, um aumento significativo em relação aos 4,2 milhões de barris por dia do ano anterior. Ole Hvalbye, analista da SEB Research, prevê que os preços do petróleo possam continuar a subir, podendo atingir entre 90 a 95 dólares por barril, ou até mesmo voltar aos 100 dólares.

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O Mar Vermelho é uma artéria vital para a economia global, canalizando entre 12% e 15% de todo o comércio mundial. A sua importância é inegável, especialmente na ligação entre os mercados industriais da Ásia e os centros de consumo na Europa e Américas. É interessante recordar que o Canal do Suez esteve fechado ao trânsito naval entre 1967 e 1975, devido à Guerra dos Seis Dias, o que teve um impacto significativo no comércio internacional.

A tensão entre os Houthis e a Arábia Saudita também está a intensificar-se. Os Houthis ameaçaram um “cerco” à Arábia Saudita em resposta a um ataque ao Aeroporto Internacional de Sanaa. Embora o governo iemenita tenha assumido a responsabilidade pelo ataque, os Houthis culparam a Arábia Saudita, prometendo retaliar. O clima de incerteza e caos no Médio Oriente continua a aumentar, com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a afirmar que as tropas israelitas estão preparadas para responder de forma contundente a qualquer provocação.

Leia também: O impacto das tensões no Médio Oriente no mercado de petróleo.

Mar Vermelho Mar Vermelho Nota: análise relacionada com Mar Vermelho.

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Fonte: Sapo

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