O mercado de trabalho em Portugal alcançou um desempenho notável, com a população empregada a ultrapassar os 5,3 milhões de pessoas no verão de 2025. Este é o valor mais elevado desde que existem registos comparáveis, conforme revela o relatório “Mercado de Trabalho em Portugal – Os cinco verões 2021-2025”, elaborado pelo grupo EGOR, que atua na consultoria de gestão de recursos humanos. A taxa de desemprego caiu para 5,8%, o nível mais baixo desde 2020, refletindo a criação de cerca de 455 mil novos postos de trabalho entre 2021 e 2025.
No entanto, este sucesso traz consigo um novo desafio: a escassez de trabalhadores. O relatório indica que, apesar do crescimento do emprego, as empresas estão a enfrentar dificuldades crescentes em encontrar candidatos qualificados para preencher as suas vagas. Alexandre Antunes, CEO do Grupo EGOR, destaca que “Portugal atingiu máximos históricos de emprego, mas esse sucesso traz um novo desafio, que já não é o de criar emprego, mas sim o de garantir que as empresas encontram as pessoas de que precisam para crescerem.”
As perspetivas para os próximos anos não são animadoras. A escassez de trabalhadores pode tornar-se uma realidade estrutural, especialmente em funções operacionais e sazonais. O envelhecimento demográfico e a diminuição da imigração estão a agravar a situação, o que poderá resultar em maior competição entre empregadores e aumento da pressão salarial.
Os dados do Banco de Portugal também revelam uma tendência preocupante: as saídas de trabalhadores estrangeiros aumentaram cerca de 40% em 2024, enquanto as entradas diminuíram drasticamente. Este cenário é alarmante, uma vez que a imigração tem sido um pilar importante para o crescimento da população ativa, especialmente em setores como a hotelaria, restauração e construção.
Entre 2021 e 2025, a população ativa cresceu em cerca de 465 mil pessoas, mostrando a capacidade do mercado para absorver novos trabalhadores. Contudo, a pressão futura na oferta de mão de obra é evidente. O relatório sublinha que a escassez de mão de obra está a deixar de ser um fenómeno sazonal, assumindo um caráter estrutural. As empresas precisam de adotar uma abordagem mais estratégica na gestão de pessoas, antecipando as suas necessidades e criando condições para reter os talentos.
“Num mercado de trabalho cada vez mais exigente, as organizações que planearem hoje as suas necessidades de pessoas estarão mais bem preparadas para crescer amanhã”, conclui Alexandre Antunes. O investimento na atração, desenvolvimento e retenção de profissionais deixará de ser uma vantagem competitiva e passará a ser uma condição essencial para garantir um crescimento sustentável.
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Fonte: Sapo





