O Campeonato do Mundo de Futebol chegou ao fim, mas não sem deixar à vista uma série de questões que vão muito além do desporto. O que deveria ser um evento de celebração do futebol transformou-se num verdadeiro campo de batalha geopolítica, onde a politicagem no futebol se fez sentir de forma intensa.
Desde o início do torneio, ficou claro que as emoções não eram apenas desportivas. A delegação iraniana, por exemplo, enfrentou condições de acolhimento que mais pareciam um reality show, enquanto o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, reconhecido como o melhor juiz das Áfricas em 2025, viu o seu visto negado e acabou deportado. Estes episódios evidenciam como a politicagem no futebol pode influenciar até os aspectos mais simples da competição.
Além disso, a seleção uruguaia foi alvo de uma revista policial sem precedentes, e a equipa argentina tornou-se um símbolo das tensões políticas que permeiam o torneio. A FIFA 2026 expôs os limites da tão proclamada “neutralidade desportiva”, revelando que, por trás das jogadas, existem interesses políticos e económicos que moldam a experiência dos jogadores e das nações.
Apesar de tudo, o torneio também trouxe momentos de orgulho, especialmente com o desempenho das seleções africanas. Com um número inédito de equipas a participar, estas nações mostraram que, mesmo sem os recursos logísticos das seleções mais favorecidas, conseguiram competir em pé de igualdade. A resiliência e a determinação foram as mensagens que mais se destacaram, provando que ganhar três pontos deixou de ser uma certeza.
A crise climática e as questões migratórias também marcaram o evento, dividindo opiniões e trazendo à tona a diáspora africana. Muitos dos jogadores que brilharam no Mundial são filhos das Áfricas, uma ironia que não passou despercebida. O valor que estes atletas geram, mesmo longe das suas terras, é inegável e representa uma forma de orgulho para os seus países de origem.
Por fim, é importante refletir sobre a politicagem no futebol e o seu impacto. Aqueles que se queixam da presença da política no desporto devem considerar que, na verdade, o futebol é um reflexo da sociedade. Parabéns aos campeões, mas também aos que sobreviveram à complexa selva política e económica que envolve o desporto. No final, ficou claro que, enquanto dentro de campo se joga a bola, fora dele joga-se o poder.
Em 2030, Marrocos, o único país africano a co-sediar o torneio com Espanha e Portugal, será mais uma vez palco de uma nova ronda de desafios geopolíticos e económicos. Haja vida para ver.
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Fonte: Sapo





