O Fascínio do Colecionismo Contemporâneo no Futebol

Com o término de mais um Campeonato do Mundo de Futebol, é tempo de refletir sobre os momentos marcantes do torneio. No entanto, para além do que se passa dentro das quatro linhas, há fenómenos que também conquistam destaque, como o crescente interesse pelo colecionismo contemporâneo. Este fenómeno, que atrai milhões de adeptos, não se limita apenas a trocas de cromos, mas revela uma dimensão cultural e económica significativa.

Recentemente, ao visitar um centro comercial, deparei-me com um stand dedicado ao Mundial, onde muitos adultos se reuniam para trocar cromos e completar as suas cadernetas. Este evento, que se repetiu em várias localidades, demonstra que o colecionismo contemporâneo está em alta. Milhões de pessoas em todo o mundo têm-se dedicado a esta atividade, tentando preencher as lacunas das suas coleções. A procura por saquetas de cromos, muitas vezes esgotadas, e as trocas entre colecionadores são uma prova da febre que se vive em torno deste passatempo.

O colecionismo contemporâneo, especialmente no contexto do futebol, é uma porta de entrada para o universo do colecionismo. A busca pela completude das coleções, a satisfação de organizar e catalogar, e a dimensão social das trocas são apenas alguns dos fatores que impulsionam este fenómeno. Além disso, o colecionismo contemporâneo também reflete a criação de memórias e a partilha de experiências entre os aficionados.

A vertente económica do colecionismo contemporâneo não pode ser ignorada. Nos últimos anos, o mercado de cromos raros tem mostrado um crescimento notável. Exemplares associados a jogadores icónicos, como Diego Maradona e Lionel Messi, alcançaram valores impressionantes em leilões. Em 2021, um cromo de Maradona foi vendido por mais de meio milhão de euros, enquanto em 2023, um cromo único de Messi atingiu os 139 mil dólares. Estes valores, embora elevados, são apenas a ponta do iceberg, pois a maioria dos cromos não chega a tais montantes, mas ainda assim, despertam o interesse do público e mostram como objetos simples podem adquirir um valor significativo ao longo do tempo.

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À medida que o valor das coleções aumenta, surge a necessidade de considerar a sua proteção como património. O conceito de interesse segurável aplica-se não só a obras de arte e antiguidades, mas também a coleções contemporâneas. Uma coleção completa, especialmente aquelas que incluem edições raras ou em estado de conservação excecional, pode representar um investimento considerável. Por isso, é fundamental garantir a preservação e, em alguns casos, contratar soluções de seguro específicas.

O colecionismo contemporâneo aproxima-se, assim, de áreas tradicionalmente ligadas ao mercado da arte, embora existam diferenças importantes. A escassez, a autenticidade e o estado de conservação são critérios comuns em ambos os mundos. Por exemplo, um exemplar do “White Album” dos The Beatles foi vendido por 790 mil dólares, não apenas pela sua raridade, mas também pela sua proveniência.

Este fenómeno também revela uma mudança geracional na forma como se entende o património colecionável. Antigamente, o colecionismo era associado a objetos antigos e eruditos, mas hoje reconhece-se o valor cultural de itens ligados à cultura popular. À medida que as luzes do Mundial se apagam, o colecionismo contemporâneo, representado por simples cromos, continua a crescer e a reinventar-se, conquistando novos adeptos.

Leia também: O impacto do colecionismo na cultura popular.

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Fonte: ECO

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