Portugal reduz risco de pobreza e exclusão social em 10 anos

Portugal tem visto uma significativa redução no risco de pobreza e exclusão social nos últimos dez anos, posicionando-se como o quarto país da União Europeia com maior melhoria nesse indicador. Apesar de ainda existirem cerca de dois milhões de pessoas em situação de pobreza e exclusão social, dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que 582 mil indivíduos saíram dessa condição desde 2014.

De acordo com o inquérito de 2025 sobre rendimentos de 2024, 18,6% da população portuguesa enfrenta atualmente o risco de pobreza e exclusão social, uma descida em relação aos 19,7% do ano anterior. Comparando com 2016, quando a taxa era de 24,9%, a redução é de 6,3 pontos percentuais. Este progresso é notável, especialmente quando se observa que apenas três países da UE, a Roménia, Bulgária e Hungria, tiveram uma redução mais acentuada no mesmo período.

Portugal ocupa agora a 11.ª posição na tabela da UE, empatado com a Áustria e a Suécia, e está abaixo da média europeia de 20,9%. Este é o melhor desempenho do país em anos, considerando que em 2023 e 2024 estava na 15.ª posição. A Chéquia lidera com a taxa mais baixa (11,5%), enquanto a Grécia e a Espanha estão entre os países com maiores taxas de pobreza no sul da Europa.

O indicador de risco de pobreza não se limita apenas à pobreza monetária, mas também considera o acesso a bens e serviços essenciais e a inclusão no mercado de trabalho. Embora as melhorias sejam evidentes, 84% das pessoas em situação de pobreza ainda se encontram na pobreza monetária. A taxa de pobreza monetária em Portugal caiu de 16,6% para 15,4% num ano, o valor mais baixo desde os anos 90.

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Carlos Farinha Rodrigues, especialista em pobreza, destaca que, apesar da redução significativa nos últimos anos, ainda existem níveis preocupantes de pobreza. Ele salienta que a Estratégia Nacional de Combate à Pobreza visa uma redução ainda mais acentuada até 2030, embora reconheça que isso será um desafio.

O mercado de trabalho e as políticas sociais têm contribuído para a diminuição do risco de pobreza. Rodrigues aponta que a redução do desemprego e a reposição de algumas prestações sociais, como o complemento solidário para idosos, desempenharam um papel positivo. No entanto, ele alerta que o impacto das transferências sociais em Portugal é inferior à média da UE, especialmente na luta contra a desigualdade.

Outro fator crucial é a educação. O especialista afirma que a qualificação é fundamental para atenuar a pobreza. Com quase 1,9 milhões de pessoas empregadas com ensino superior, a educação tem um papel determinante na redução da pobreza. No entanto, há preocupações com a pobreza entre trabalhadores qualificados, que tem vindo a aumentar.

Além disso, a pobreza infantil continua a ser uma questão crítica, com a taxa de pobreza entre crianças e adolescentes a manter-se elevada. Rodrigues destaca que as famílias monoparentais e numerosas enfrentam taxas de pobreza alarmantes, o que exige uma atenção especial.

Por fim, o especialista enfatiza que a pobreza é um problema que afeta a sociedade como um todo e que o combate à pobreza deve ser uma prioridade política. Apesar dos progressos, a luta contra a pobreza e a exclusão social em Portugal ainda está longe de ser concluída.

Leia também: A importância da educação na redução da pobreza em Portugal.

risco de pobreza Nota: análise relacionada com risco de pobreza.

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Fonte: Sapo

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