A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) manifestou hoje a sua indignação em relação ao modelo de remuneração proposto pelo Ministério da Educação para os professores que classificam os exames nacionais. A proposta prevê o pagamento de apenas um euro por cada resposta avaliada, o que a Fenprof considera uma afronta à dignidade e inteligência dos docentes.
Em comunicado, a Fenprof descreveu o processo de classificação como uma “tragicomédia”, sublinhando que, após um ano marcado por caos e desorganização, o Governo parece querer agravar a situação com uma compensação irrisória. A federação considera “absolutamente inaceitável” que, em condições excecionais de trabalho, os professores sejam remunerados de forma tão desproporcional.
Na segunda-feira, o ministério anunciou que os professores classificadores dos exames do secundário receberão um euro por resposta, 12 euros por prova reapreciada, 10 euros por provas em suporte físico e 18 euros por provas em reclamação. Esta medida aplica-se a todas as fases de exames, incluindo a época especial.
A Fenprof questiona a equidade deste modelo, uma vez que a capacidade de classificação pode variar significativamente entre os docentes. “Como pode o Ministério considerar justo um modelo que gera diferenças tão profundas na remuneração de um trabalho realizado sob a mesma responsabilidade?”, questiona a federação, alertando para o facto de que alguns professores poderão receber apenas seis euros por hora.
A Fenprof recorda que o ministro da Educação, Fernando Alexandre, assumiu a responsabilidade pela organização do processo e prometeu assegurar condições adequadas, incluindo a compensação pelo trabalho extraordinário. Contudo, a federação critica o que considera um falhanço do ministério, que agora apresenta uma remuneração que não reflete o esforço real dos professores.
O comunicado do ministério destaca que a introdução da classificação digital para cerca de 300 mil exames trouxe alterações significativas nos procedimentos dos classificadores. Apesar disso, a Fenprof defende que o reconhecimento do trabalho dos docentes deve ser proporcional à complexidade e aos desafios enfrentados.
O novo modelo de classificação já se deparou com várias falhas técnicas, que atrasaram o processo de correção e divulgação de resultados, levando à necessidade de rever o calendário dos exames. A Fenprof exige que o Governo valorize adequadamente o trabalho dos professores, que têm sido fundamentais na avaliação externa, especialmente num ano marcado por constrangimentos.
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Fonte: Sapo





