A colina Mrima Hill, localizada na costa do Quénia, é o centro de uma intensa disputa entre consórcios dos Estados Unidos, China e Austrália pela exploração de minerais de terras raras. Esta área, coberta por uma densa floresta e rodeada por plantações de cana-de-açúcar e mandioca, abriga uma riqueza de minerais essenciais para tecnologias de defesa e energias renováveis.
Em 2013, um ex-explorador avaliou os depósitos de Mrima Hill em 62 mil milhões de dólares, embora este valor não considere os custos elevados de extração e processamento. Recentemente, o Ministério de Mineração do Quénia anunciou uma lista restrita de sete grupos que competirão pelo direito de desenvolver o local, aumentando a expectativa entre as partes interessadas.
Para a comunidade Digo, que habita a região há séculos, a colina não é apenas um espaço físico, mas um local sagrado, conhecido como kaya. Jermaine Kashi, especialista em desenvolvimento, destaca que a comunidade está preocupada com os seus meios de subsistência e os direitos sobre as suas terras. A resistência local é forte, pois os Digo temem que a exploração mineral comprometa não só o seu lar, mas também a sua cultura.
As kayas, que foram protegidas como monumentos nacionais desde 1992, são vistas como locais sagrados que preservam a memória cultural do povo Digo. Kassim Suleiman Mnyeto, guardião das kayas, afirma que não é possível deslocar um local sagrado como este. A comunidade, embora preocupada, mostra-se aberta à exploração mineral, desde que sejam respeitados os seus direitos e garantidas compensações justas.
No entanto, a tensão aumenta à medida que políticos e agentes externos tentam adquirir terras a preços baixos, o que gera desconfiança entre os moradores. Um grupo armado já interrompeu reuniões com agricultores, evidenciando a divisão e a pressão que a comunidade enfrenta. Suleiman Mwarizo, presidente do Digo Community Resource Trust, sublinha a necessidade de união entre os moradores para defender os seus interesses.
A situação em torno de Mrima Hill é delicada, especialmente porque a área é rica em depósitos de nióbio, neodímio e ítrio, minerais críticos para várias indústrias. Ali Chirau Mwakwere, porta-voz da comunidade Mijikenda, expressa preocupações sobre os métodos de exploração que poderão ser utilizados, alertando para o potencial impacto ambiental e social.
Os sete consórcios pré-selecionados aguardam ansiosamente o resultado de uma licitação que reduzirá o número de candidatos. A China, que controla 90% do mercado global de terras raras, está particularmente interessada na área, enquanto os EUA tentam reforçar a sua posição no setor. A empresa americana ReElement, parte de um consórcio, planeia desenvolver cadeias de abastecimento para ímanes utilizados em sistemas militares.
A população local, estimada em cerca de 150 mil pessoas, vive um clima de incerteza, com pouca comunicação do governo sobre os planos de exploração. Os moradores temem perder as suas terras e ver a sua região transformada em um deserto de resíduos tóxicos. A experiência negativa de projetos anteriores de mineração na área alimenta ainda mais os receios.
Justus Mwero, presidente da associação de proprietários de terras de Mrima Hill, afirma que a comunidade apoia o desenvolvimento da mina, desde que sejam cumpridas certas condições, como a proteção dos direitos de propriedade e a implementação de salvaguardas ambientais. “Precisamos de informações claras sobre o que acontecerá com as nossas terras e queremos que as nossas condições de vida melhorem”, conclui Mwakwere.
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terras raras terras raras Nota: análise relacionada com terras raras.
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Fonte: Sapo





