Ataque informático afeta milhões de clientes da Unitel em Angola

A Unitel, a maior operadora de telecomunicações de Angola, enfrenta uma grave crise após um ataque informático que deixou milhões de clientes sem rede em todo o país. O incidente ocorreu na madrugada de terça-feira, cerca das 02:20 (hora de Lisboa), e afetou serviços essenciais como voz, dados móveis e acesso à Internet.

Em comunicado, a empresa revelou que ativou imediatamente os mecanismos de resposta e contenção. As equipas técnicas e de cibersegurança estão a trabalhar arduamente para mitigar os efeitos do ataque e garantir a reposição total dos serviços, que, neste momento, continuam a ser limitados.

Clientes particulares e empresariais têm reportado dificuldades significativas. Muitos enfrentam problemas para realizar chamadas, utilizar aplicações de transporte ou aceder à Internet em casa. No sector empresarial, a situação é ainda mais crítica, com a indisponibilidade dos sistemas informáticos a dificultar a faturação e a comunicação com clientes e fornecedores.

Uma responsável de uma clínica expressou a sua frustração, afirmando que a falta de comunicação e os atrasos na emissão de faturas e recibos estão a criar uma “dor de cabeça” para a sua equipa. Embora a empresa não seja culpada pelo ataque, os efeitos negativos na experiência do utente são inegáveis, resultando num aumento das reclamações.

Face a esta situação, algumas empresas estão a considerar alternativas, como recorrer a outros operadores e mobilizar recursos adicionais para garantir a continuidade dos serviços essenciais e a recuperação de dados assim que a rede for restabelecida. Outros clientes também manifestaram descontentamento com a qualidade do serviço da Unitel nos últimos tempos, bem como com a falta de resposta da empresa.

Este ataque ocorre num momento crítico, a um dia da estreia da Unitel na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA). A negociação das ações da operadora está agendada para quarta-feira, após a privatização de 15% do capital. O Estado angolano, através do Instituto de Gestão de Ativos e Participações do Estado (IGAPE), vendeu 7,5 milhões de ações, gerando um encaixe de quase 300 milhões de euros.

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De acordo com o Relatório & Contas de 2025, a Unitel conta com 20,8 milhões de clientes e detém uma quota de mercado de 76%. A empresa também opera em São Tomé e Príncipe e Cabo Verde. A situação atual levanta preocupações sobre a capacidade da operadora em manter a confiança dos seus clientes e investidores.

Leia também: O impacto da privatização na Unitel e no mercado angolano.

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Fonte: ECO

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