A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reuniu-se recentemente com uma delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI) para discutir a utilização das reservas do país no âmbito de um plano de recuperação após os sismos devastadores que ocorreram a 24 de junho. A conversa, que teve lugar na quarta-feira, focou-se nas perspetivas macroeconómicas e nas prioridades da política económica, bem como na assistência técnica para fortalecer as capacidades institucionais.
Rodríguez anunciou anteriormente que a Venezuela teria acesso a 346 milhões de dólares (aproximadamente 302 milhões de euros) do FMI, destinados à reconstrução. Este montante corresponde a ativos da reserva da Venezuela no FMI, que estão imediatamente disponíveis para atender às necessidades humanitárias urgentes resultantes da catástrofe. O FMI explicou que esses fundos são essenciais para a resposta a situações de emergência.
Na reunião, estiveram presentes figuras importantes, como o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Nigel Chalk, e o chefe da missão na Venezuela, Álvaro Piris. Ao lado de Rodríguez, estavam também os vice-presidentes da Economia e do Governo Digital, Calixto Ortega e Anabel Pereira, assim como o presidente do Banco Central, Luis Pérez, entre outros funcionários.
Este encontro é um passo importante na continuidade do diálogo construtivo que tem sido estabelecido nos últimos meses. A delegação do FMI planeia ainda reunir-se com altas autoridades da equipa económica e de outras instituições públicas da Venezuela, o que demonstra uma normalização progressiva das relações entre o país e o Fundo Monetário Internacional. Este processo é parte de uma aproximação mais ampla à comunidade financeira internacional.
As relações entre o FMI e a Venezuela foram retomadas em abril, após um período de suspensão que durou desde 2019. Desde então, os contactos entre o organismo e o governo interino de Rodríguez têm sido frequentes, com o objetivo de concluir os procedimentos técnicos que permitirão, no futuro, que a Venezuela volte a aceder aos instrumentos financeiros do FMI.
O recente duplo terramoto teve um impacto devastador, resultando em mais de 5.500 mortos, pelo menos 16.740 feridos e cerca de 18 mil desalojados, segundo dados oficiais. O Banco Mundial estima que os danos materiais diretos ascendem a 19,6 mil milhões de dólares (17,1 mil milhões de euros).
Leia também: O impacto económico dos sismos na Venezuela.
Leia também: Justiça em 90 dias: solução para o crescimento de Portugal
Fonte: Sapo





