O Banco Comercial Português (BCP) apresentou resultados sólidos no primeiro semestre de 2026, com um desempenho destacado em Portugal. Segundo a agência de notação financeira DBRS, liderada por Maria Parra, vice-presidente para Instituições Financeiras Europeias, o lucro líquido do banco foi impulsionado por receitas operacionais mais elevadas e uma redução nas provisões para riscos legais na Polónia.
A análise da DBRS indica que o BCP beneficiou de um aumento significativo nas receitas core, um resultado de trading positivo e menores provisões, especialmente relacionadas com os créditos hipotecários em francos suíços na Polónia. Os custos operacionais aumentaram de forma modesta, permitindo ao banco manter um rácio de eficiência forte, em torno de 37%, enquanto o custo do risco permaneceu estável.
Portugal destacou-se como o principal motor do crescimento, com um aumento de 10,9% no lucro líquido em comparação com o mesmo período do ano anterior. Este crescimento foi sustentado por uma forte geração de receitas em todas as áreas de negócio. A margem financeira cresceu a dois dígitos, apoiada por uma sólida expansão do crédito e menores custos de financiamento. Além disso, as comissões também registaram um aumento, impulsionadas pelo dinamismo dos produtos fora de balanço, como bancassurance e gestão de patrimónios.
Embora as operações na Polónia tenham contribuído positivamente, a melhoria dos resultados do Bank Millennium deve-se, em grande parte, à redução das provisões relacionadas com os litígios dos créditos hipotecários. A margem financeira na Polónia, no entanto, recuou devido à descida das yields dos ativos e a custos operacionais elevados.
A qualidade dos ativos do BCP continua a melhorar, suportada por alienações de carteiras e um aumento nos write-offs. Os rácios de liquidez e de capital mantêm-se robustos, mesmo com distribuições significativas aos acionistas.
Olhando para o futuro, a DBRS antecipa que o BCP apresentará lucros ainda mais fortes em 2026, impulsionados pela continuidade do bom desempenho das operações em Portugal. A agência prevê um crescimento contínuo do crédito, uma margem financeira mais forte, com yields dos ativos elevadas e custos de financiamento controlados. As comissões devem continuar a crescer, enquanto o custo do risco se mantém estável. Estas tendências são apoiadas pelo contexto económico resiliente de Portugal e condições de mercado favoráveis.
Por outro lado, o contributo das operações internacionais deverá permanecer modesto, com o desempenho da Polónia a depender principalmente da redução das provisões para riscos legais associados às exposições em francos suíços.
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Fonte: Sapo





