Desconhecimento das médias empresas sobre IA preocupa especialistas

O entusiasmo à volta da inteligência artificial (IA) generativa é palpável, mas a sua adoção nas médias empresas em Portugal continua a ser um desafio. Fernando Braz, country leader da Salesforce em Portugal, destaca a falta de conhecimento e literacia tecnológica como os principais obstáculos. Em entrevista ao ECO, realizada em São Francisco, Braz sublinha que muitas destas empresas ainda encaram o digital como sinónimo de ter um website.

Com a Comissão Europeia a apresentar uma estratégia para integrar a IA nas empresas, os números revelam uma adesão ainda tímida, especialmente em Portugal. “O que é realmente desafiante são as empresas médias, que podem ser o motor da economia portuguesa. Temos muitas com 300 a 700 empregados, e é aí que sentimos mais dificuldades. Há um desconhecimento enorme sobre o que fazer com a IA”, afirma Braz.

O responsável da Salesforce aponta que a falta de literacia tecnológica entre os gestores é evidente. Em alguns casos, o tempo necessário para decidir sobre “projetos pequenos e simples” pode chegar a três anos. “Os decisores sentem a pressão para acompanhar as tendências, mas não conseguem avançar porque não sabem como fazê-lo”, explica. Um exemplo citado é o de um grupo hoteleiro português que, apesar de estar sempre cheio, hesita em investir em plataformas digitais.

Além da falta de conhecimento, a preocupação com o retorno sobre o investimento em IA também é uma questão central. Um estudo do IBM Institute for Business Value revelou que apenas 33% das iniciativas de IA estão a atingir as metas de ROI. “A questão do retorno está relacionada com as expectativas. Temos de avaliar o que a IA realmente faz”, diz Braz.

Para as empresas que desejam adotar a IA, o gestor recomenda começar com projetos pequenos, testar e ajustar antes de avançar para iniciativas maiores. “O tempo em que se investiam milhões em projetos de transformação já passou. Devemos começar pequeno e crescer”, aconselha.

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Outra preocupação comum é a incerteza em relação aos custos das soluções de IA. Braz sugere que as empresas evitem “acessos descontrolados” e que negociem contratos que estabeleçam limites claros. “É importante que as pessoas saibam o que está a ser disponibilizado”, conclui.

Recentemente, a Salesforce promoveu a conferência Dreamforce, onde foram apresentadas novidades, incluindo a possibilidade de criar agentes de IA personalizados e melhorias na aplicação Slack. A integração do Slack com o software da Salesforce permite que as empresas acessem informações de clientes de forma mais eficiente, facilitando a colaboração.

Apesar das inovações, as ações da Salesforce caíram mais de 3,6% durante o evento, refletindo a pressão que a empresa enfrenta no mercado. “A inovação que trazemos é inquestionável, e estamos comprometidos com estas matérias”, defende Braz.

Leia também: O impacto da IA nas pequenas empresas em Portugal.

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Fonte: ECO

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